Apresentação
"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell)
Este blog é um espaço de reflexão e troca de experiências educativas na área de Filosofia para o Ensino Médio. Os materiais aqui postados tem por objetivo subsidiar o estudo tanto de professores quanto de alunos. Os textos serão de autoria própria, ou de autores da área, ou resultado de pesquisas em obras literárias e na web.
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quinta-feira, 24 de março de 2011
SUGESTÕES DE PLANO E CONTEÚDOS PARA O 2º BIMESTRE
As sugestões aqui postadas foram elaboradas pela Assessoria de Currículo da SEDUC/TO, para o ano letivo de 2010:
Planos e conteúdos 2º bimestre
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Plano Filosofia 3º Ano do Ensino Médio 1º Bimestre 2011
COMPETÊNCIAS:
HABILIDADES:
CONTEÚDOS MÍNIMOS:
ARBEX José; TOGNOLI, Cláudio J. O mundo pós-moderno. São Paulo: Scipione (ponto de apoio), 1996.
MAGNOLI, Demétrio; ARBEX, José; OLIC, Nelson Bacic. Panorama do mundo. São Paulo: Scipione, 1996.
MARTINEZ, Paulo. Direitos de cidadania: um lugar ao sol. São Paulo: Scipione, 1996.
Sugestões de Filmes:
Eles não usam black-tie, 1981 dirigido por Leon Hirszman
Tempos modernos, 1936, direção: Charles Chaplin
The Corporation, 2003, Produção: Mark Achbar, Bart Simpson
Camelos também choram, 2003, Byambasuren Davaa e Luigi Falorni
Rosalie vai às compras, 1989, Percy Adlon:
Oscar Niemeyer – A vida é um sopro, 2007, Brasil, Fabiano Maciel
A classe operária vai ao paraíso, 1971, Itália, Elio Petri
Sugestões de Textos:
O PAPALAGUI NÃO TEM TEMPO
Tuiávii, Chefe da Tribo Tiaveá na Polinésia
Pouca gente há na Europa que tenha tempo, de fato; talvez ninguém mesmo. É por isto que quase todos levam a vida correndo com a velocidade de pedras atiradas por alguém. Quase todos andam olhando e balançando com os braços para caminhar o mais depressa possível. Se alguém o faz parar, dizem, mal-humorados : "Não me aborreças, não tenho tempo, vê se aproveitas melhor o teu". Dá a impressão de que aquele que anda depressa vale mais e é mais valente do que aquele que anda devagar.
Vi um homem com a cabeça estourando, os olhos virados, a boca aberta feito a de um peixe agonizante, a cara passando de vermelha a verde, batendo com as mãos e os pés, porque um criado tinha chegado um pouquinho mais tarde do que prometera. Esse pouquinho era para ele um grande prejuízo, prejuízo irreparável. O criado teve de ir-se embora, o Papalagui expulsou-o e recriminou-o : "Roubaste-me tempo demais ! Quem não presta atenção ao tempo, não merece o tempo que tem!".
Só uma vez é que deparei com um homem que tinha muito tempo, que nunca se queixava de não tê-lo, mas era pobre; sujo, e desprezado. Os outros passavam longe dele, ninguém lhe dava importância. Não compreendi essa atitude porque ele andava sem pressa, com os olhos sorrindo, mansa, suavemente. Quando lhe falei, fez uma careta e disse, tristemente : "Nunca soube aproveitar o tempo; por isto, sou pobre, sou um bobalhão". Tinha tempo, mas não era feliz.
O Papalagui emprega todas as forças que tem tentando alongar o tempo o mais possível. Serve-se da água e do fogo, da tempestade e dos relâmpagos que brilham no céu, para fazer parar o tempo. Põe rodas de ferro nos pés, dá asas às palavras que diz para ter mais tempo. Mas para que todo este esforço? O que é que o Papalagui faz com o tempo? Nunca compreendi bem, pelos seus gestos e suas palavras, ele sempre tenha me dado a impressão de alguém a quem o Grande Espírito convidou para um fono.
Acho que o tempo lhe escapa tal qual a cobra na mão molhada, justamente porque a segura com força demais. O Papalagui não espera que o tempo venha até ele, mas sai ao seu alcance, sempre, sempre com as mãos estendidas e não lhe dá descanso, não deixa que o tempo descanse ao Sol. O tempo é quieto, pacato, gosta de descansar, de deitar-se à vontade na esteira. O Papalagui não sabe perceber onde está o tempo, não o entende e é por isto que o maltrata com os seus costumes rudes.
Ó amados irmãos! Nunca nos queixamos do tempo; amamo-lo conforme vem, nunca corremos atrás dele, nunca pensamos em ajuntá-lo nem em partí-lo. Nunca o tempo nos falta, nunca nos enfastia. Adianta-se aquele dentre nós que não tem tempo! Cada um de nós tem tempo em quantidade e nos contentamos com ele. Não precisamos de mais tempo do que temos e, no entanto, temos tempo que chega. Sabemos que no devido tempo havemos de chegar ao nosso fim e que o Grande Espírito nos chamará quando for sua vontade, mesmo que não saibamos quantas Luas nossas passaram. Devemos livrar o pobre Papalagui, tão confuso, da sua loucura! Devemos devolver-lhe o verdadeiro sentido do tempo que perdeu. Vamos despedaçar a sua pequena máquina de contar o tempo e lhes ensinar que, do nascer ao pôr do Sol, o homem tem muito mais tempo do que é capaz de usar.
O PEDREIRO VALDEMAR
“Você conhece o pedreiro Valdemar?
Não conhece? Mas eu vou lhe apresentar.
De madrugada toma o trem da Circular,
Faz tanta casa e não tem casa pra morar. (Bis)
Leva a marmita embrulhada no jornal
Se tem almoço, nem sempre tem jantar.
O Valdemar, que é mestre no ofício,
Constrói um edifício e depois não pode entrar”.
Marchinha de carnaval carioca – 1949- Roberto Martins e Wilson Batista
A GLOBALIZAÇÃO E A CRISE DO SOCIAL
"O atual padrão mundial de acumulação e desenvolvimento, assentado no domínio das informações, do saber e das novas tecnologias — e não apenas do capital e do poder de coerção — reduz a oferta de empregos produtivos e reforça as tendências de exclusão de uma parcela cada vez maior de seres humanos das condições e dos frutos do desenvolvimento, agravando o desemprego, a miséria e as diversas formas de alienação. Ao valorizar a competição que favorece o mais poderoso e/ou mais apto (e nesse sentido revalorizando a desigualdade em detrimento da solidariedade, da justiça e da eqüidade), a reestruturação em curso vem estimulando novos e velhos preconceitos sociais, religiosos, nacionais, étnicos.
O desenvolvimento capitalista – universalizador e diferenciador da humanidade - é hoje soberano e reina em todos os quadrantes do planeta praticamente sem concorrência.
A globalização da sociedade humana se consuma sob a égide desse modo de produção e de seu estilo de vida social. O planeta configura-se hoje como um espaço social unificado e desigualmente dividido. A divisão do trabalho e da riqueza entre Norte e Sul articula-se com as profundas diferenças intraregionais e nacionais. Os indicadores de miséria e exclusão social são assustadores na Ásia, na África e na América Latina. Mas também estão presentes, embora em outra escala, nas sociedades de capitalismo avançado, de consumo de massa e de welfare state.
Situação, aliás, que vem se agravando nas duas últimas décadas, marcadas por períodos de recessão, endividamento internacional, concentração da riqueza, reestruturação produtiva e liberalização indiscriminada dos mercados. O esemprego e o subemprego, estruturalmente críticos e endêmicos no chamado ‘Terceiro Mundo', crescem em proporções ameaçadoras à estabilidade sócio-política nas nações capital: mais avançadas. A OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Eco mico) admite a existência de mais de 35 milhões de desempregados entre seus 24 países membros; outros tantos perderam o emprego com a reestruturação forçada no antigo bloco soviético; enquanto mais da metade da população economicamente ative África, Ásia e América Latina situa-se fora do mercado formal de trabalho e, assim, do acesso aos meios de desenvolvimento e de exercício dos direitos de cidadania.
No caso brasileiro, esta crise/esgotamento do modelo de regulação do Estado tornou-se ainda mais explícita com a exigência da sociedade civil e as reivindicações de diferentes categorias e movimentos sociais por direitos de cidadania. As instituições estatais-corporativas de controle e coerção perderam progressivamente a sua eficácia deixando, assim, de serem funcionais à reprodução da ordem.
Por tudo isso, parece razoável supor que a crise do Estado brasileiro se insere em uma crise dos Estados nacionais e de suas formas objetivas de regulação. “Esta crise torna-se mais ampla e complexa quando a associamos à desarticulação das entidades coletivas das classes subalternas, enquanto atores sociais e políticos, e à reestruturação da economia mundial e das relações internacionais.”
ABREU, Haroldo. Proposta, experiências em educação popular. Rio de Janeiro, ano 23, n. 64, mar. 1995. p. 13-6.
TRABALHO INFANTIL: ONTEM E HOJE CONDIÇÕES DE VIDA E TRABALHO NA FRANÇA DO SÉCULO XIX
“O médico Louis Villermé escreveu em 1840 sobre as condições dos trabalhadores nas fábricas francesas. Homens, mulheres e crianças trabalhavam de 12 a 14 horas por dia: 'Muitos, cinco mil em dezessete mil, eram obrigados, pela carestia das rendas, c instalar-se nas aldeias vizinhas. Alguns habitavam a duas léguas e um quarto da manufatura onde trabalhavam. (...) O trabalho começava às cinco da manhã e acabava às cinco da tarde, tanto no verão como no inverno. (...) (Suas casas) miseráveis instalações onde dormiam duas famílias cada uma a seu canto, sobre a palha colocada sobre c tijolo e retida por duas tábuas. (...) Não é um trabalho, uma tarefa, é uma tortura e infligem-na a crianças de seis a oito anos. (...) É esse longo suplício de todos os dias que mina sobretudo os operários nas fábricas de fiação de algodão'."
LAFARGUE, Paul. O direito à preguiça. Lisboa: Estampa, 1977. p.23-4
A REALIDADE DO TRABALHO INFANTIL
“(...) A exploração do trabalho infantil constituise num grave problema social A Constituição proíbe qualquer trabalho infantil antes de a criança completar 14 anos de idade, salvo na condição de aprendiz, situação permitida apenas a partir dos 12 anos. Mesmo assim, tal atividade deve ser reconhecidamente leve, excluindo-se, por exemplo, o trabalho exercido nas indústrias, nas oficinas e na agricultura.
Registro um fato importante: estando a criança ou o adolescente trabalhando, é fundamental que lhe seja assegurada a oportunidade de educação. Dentro da chamada mão-de-obra invisível, as crianças e os adolescentes não aparecem nas estatísticas oficiais e não têm direitos trabalhistas e benefícios previdenciários garantidos. Mas, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), formam no Brasil um exército silencioso de 7,5 milhões de menores, que não têm infância e trabalham como adultos. Técnicos do Ministério do Trabalho já constataram crianças com chupeta na boca e uma enxada em suas mãos. A tragédia infanto-juvenil no campo deve ser hoje a grande preocupação do governo federal. As crianças ingressam no trabalho a partir dos 6 ou 7 anos.
Trabalham em média dez horas, em troca de uma remuneração que varia de R$ 2,00 a R$ 6,00 por dia. Tais valores são ainda menores se a mão-de-obra for feminina. As crianças trabalham, mas não vêem a cor do dinheiro, porque o pagamento vai direto para a mão dos pais como forma de complementação salarial.
O emprego da mão-de-obra infantil na agricultura pode ser constatado em quase todas as regiões do país, conforme os dados a seguir: São Paulo - colheita de laranjas e indústrias de calçados (convivendo com o cheiro da cola); Rio de Janeiro -colheita da cana-de-açúcar e de laranjas; Goiás - lavouras de tomate; Mato Grosso do Sul -carvoarias e colheita da erva-mate; Bahia - sisal; Alagoas - produção do fumo; Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte - salinas; Paraíba - redes, colchas e mantas; etc. No Nordeste, a maioria das crianças trabalha na cultura da cana-de-açúcar. Somente na Zona da Mata pernambucana são mais de 70 mil crianças e adolescentes, representando 30% da força de trabalho no setor canavieiro. Próximo à moagem da cana-deaçúcar, esse número eleva-se para 120 mil crianças trabalhando. (...)"
SILVA, Benedita da. Opinião. In: Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 dez. 1996. p. 1-3.
- Aplicar conhecimentos filosóficos no plano existencial, nos projetos de vida e nas relações sociais;
- Preparar de modo eficiente para o exercício do trabalho;
HABILIDADES:
- Ler textos filosóficos de modo significativo;
- Ampliar gradativamente o alcance da leitura filosófica;
- Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo;
- Desenvolver a versatilidade profissional
CONTEÚDOS MÍNIMOS:
- A história do trabalho
- O conflito entre trabalho e realização
- A ética capitalista do trabalho
- O valor dado ao trabalho
- Trabalho e alienação
- A realização no mercado consumidor
ARBEX José; TOGNOLI, Cláudio J. O mundo pós-moderno. São Paulo: Scipione (ponto de apoio), 1996.
MAGNOLI, Demétrio; ARBEX, José; OLIC, Nelson Bacic. Panorama do mundo. São Paulo: Scipione, 1996.
MARTINEZ, Paulo. Direitos de cidadania: um lugar ao sol. São Paulo: Scipione, 1996.
Sugestões de Filmes:
Eles não usam black-tie, 1981 dirigido por Leon Hirszman
Tempos modernos, 1936, direção: Charles Chaplin
The Corporation, 2003, Produção: Mark Achbar, Bart Simpson
Camelos também choram, 2003, Byambasuren Davaa e Luigi Falorni
Rosalie vai às compras, 1989, Percy Adlon:
Oscar Niemeyer – A vida é um sopro, 2007, Brasil, Fabiano Maciel
A classe operária vai ao paraíso, 1971, Itália, Elio Petri
Sugestões de Textos:
O PAPALAGUI NÃO TEM TEMPO
Tuiávii, Chefe da Tribo Tiaveá na Polinésia
Pouca gente há na Europa que tenha tempo, de fato; talvez ninguém mesmo. É por isto que quase todos levam a vida correndo com a velocidade de pedras atiradas por alguém. Quase todos andam olhando e balançando com os braços para caminhar o mais depressa possível. Se alguém o faz parar, dizem, mal-humorados : "Não me aborreças, não tenho tempo, vê se aproveitas melhor o teu". Dá a impressão de que aquele que anda depressa vale mais e é mais valente do que aquele que anda devagar.
Vi um homem com a cabeça estourando, os olhos virados, a boca aberta feito a de um peixe agonizante, a cara passando de vermelha a verde, batendo com as mãos e os pés, porque um criado tinha chegado um pouquinho mais tarde do que prometera. Esse pouquinho era para ele um grande prejuízo, prejuízo irreparável. O criado teve de ir-se embora, o Papalagui expulsou-o e recriminou-o : "Roubaste-me tempo demais ! Quem não presta atenção ao tempo, não merece o tempo que tem!".
Só uma vez é que deparei com um homem que tinha muito tempo, que nunca se queixava de não tê-lo, mas era pobre; sujo, e desprezado. Os outros passavam longe dele, ninguém lhe dava importância. Não compreendi essa atitude porque ele andava sem pressa, com os olhos sorrindo, mansa, suavemente. Quando lhe falei, fez uma careta e disse, tristemente : "Nunca soube aproveitar o tempo; por isto, sou pobre, sou um bobalhão". Tinha tempo, mas não era feliz.
O Papalagui emprega todas as forças que tem tentando alongar o tempo o mais possível. Serve-se da água e do fogo, da tempestade e dos relâmpagos que brilham no céu, para fazer parar o tempo. Põe rodas de ferro nos pés, dá asas às palavras que diz para ter mais tempo. Mas para que todo este esforço? O que é que o Papalagui faz com o tempo? Nunca compreendi bem, pelos seus gestos e suas palavras, ele sempre tenha me dado a impressão de alguém a quem o Grande Espírito convidou para um fono.
Acho que o tempo lhe escapa tal qual a cobra na mão molhada, justamente porque a segura com força demais. O Papalagui não espera que o tempo venha até ele, mas sai ao seu alcance, sempre, sempre com as mãos estendidas e não lhe dá descanso, não deixa que o tempo descanse ao Sol. O tempo é quieto, pacato, gosta de descansar, de deitar-se à vontade na esteira. O Papalagui não sabe perceber onde está o tempo, não o entende e é por isto que o maltrata com os seus costumes rudes.
Ó amados irmãos! Nunca nos queixamos do tempo; amamo-lo conforme vem, nunca corremos atrás dele, nunca pensamos em ajuntá-lo nem em partí-lo. Nunca o tempo nos falta, nunca nos enfastia. Adianta-se aquele dentre nós que não tem tempo! Cada um de nós tem tempo em quantidade e nos contentamos com ele. Não precisamos de mais tempo do que temos e, no entanto, temos tempo que chega. Sabemos que no devido tempo havemos de chegar ao nosso fim e que o Grande Espírito nos chamará quando for sua vontade, mesmo que não saibamos quantas Luas nossas passaram. Devemos livrar o pobre Papalagui, tão confuso, da sua loucura! Devemos devolver-lhe o verdadeiro sentido do tempo que perdeu. Vamos despedaçar a sua pequena máquina de contar o tempo e lhes ensinar que, do nascer ao pôr do Sol, o homem tem muito mais tempo do que é capaz de usar.
O PEDREIRO VALDEMAR
“Você conhece o pedreiro Valdemar?
Não conhece? Mas eu vou lhe apresentar.
De madrugada toma o trem da Circular,
Faz tanta casa e não tem casa pra morar. (Bis)
Leva a marmita embrulhada no jornal
Se tem almoço, nem sempre tem jantar.
O Valdemar, que é mestre no ofício,
Constrói um edifício e depois não pode entrar”.
Marchinha de carnaval carioca – 1949- Roberto Martins e Wilson Batista
A GLOBALIZAÇÃO E A CRISE DO SOCIAL
"O atual padrão mundial de acumulação e desenvolvimento, assentado no domínio das informações, do saber e das novas tecnologias — e não apenas do capital e do poder de coerção — reduz a oferta de empregos produtivos e reforça as tendências de exclusão de uma parcela cada vez maior de seres humanos das condições e dos frutos do desenvolvimento, agravando o desemprego, a miséria e as diversas formas de alienação. Ao valorizar a competição que favorece o mais poderoso e/ou mais apto (e nesse sentido revalorizando a desigualdade em detrimento da solidariedade, da justiça e da eqüidade), a reestruturação em curso vem estimulando novos e velhos preconceitos sociais, religiosos, nacionais, étnicos.
O desenvolvimento capitalista – universalizador e diferenciador da humanidade - é hoje soberano e reina em todos os quadrantes do planeta praticamente sem concorrência.
A globalização da sociedade humana se consuma sob a égide desse modo de produção e de seu estilo de vida social. O planeta configura-se hoje como um espaço social unificado e desigualmente dividido. A divisão do trabalho e da riqueza entre Norte e Sul articula-se com as profundas diferenças intraregionais e nacionais. Os indicadores de miséria e exclusão social são assustadores na Ásia, na África e na América Latina. Mas também estão presentes, embora em outra escala, nas sociedades de capitalismo avançado, de consumo de massa e de welfare state.
Situação, aliás, que vem se agravando nas duas últimas décadas, marcadas por períodos de recessão, endividamento internacional, concentração da riqueza, reestruturação produtiva e liberalização indiscriminada dos mercados. O esemprego e o subemprego, estruturalmente críticos e endêmicos no chamado ‘Terceiro Mundo', crescem em proporções ameaçadoras à estabilidade sócio-política nas nações capital: mais avançadas. A OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Eco mico) admite a existência de mais de 35 milhões de desempregados entre seus 24 países membros; outros tantos perderam o emprego com a reestruturação forçada no antigo bloco soviético; enquanto mais da metade da população economicamente ative África, Ásia e América Latina situa-se fora do mercado formal de trabalho e, assim, do acesso aos meios de desenvolvimento e de exercício dos direitos de cidadania.
No caso brasileiro, esta crise/esgotamento do modelo de regulação do Estado tornou-se ainda mais explícita com a exigência da sociedade civil e as reivindicações de diferentes categorias e movimentos sociais por direitos de cidadania. As instituições estatais-corporativas de controle e coerção perderam progressivamente a sua eficácia deixando, assim, de serem funcionais à reprodução da ordem.
Por tudo isso, parece razoável supor que a crise do Estado brasileiro se insere em uma crise dos Estados nacionais e de suas formas objetivas de regulação. “Esta crise torna-se mais ampla e complexa quando a associamos à desarticulação das entidades coletivas das classes subalternas, enquanto atores sociais e políticos, e à reestruturação da economia mundial e das relações internacionais.”
ABREU, Haroldo. Proposta, experiências em educação popular. Rio de Janeiro, ano 23, n. 64, mar. 1995. p. 13-6.
TRABALHO INFANTIL: ONTEM E HOJE CONDIÇÕES DE VIDA E TRABALHO NA FRANÇA DO SÉCULO XIX
“O médico Louis Villermé escreveu em 1840 sobre as condições dos trabalhadores nas fábricas francesas. Homens, mulheres e crianças trabalhavam de 12 a 14 horas por dia: 'Muitos, cinco mil em dezessete mil, eram obrigados, pela carestia das rendas, c instalar-se nas aldeias vizinhas. Alguns habitavam a duas léguas e um quarto da manufatura onde trabalhavam. (...) O trabalho começava às cinco da manhã e acabava às cinco da tarde, tanto no verão como no inverno. (...) (Suas casas) miseráveis instalações onde dormiam duas famílias cada uma a seu canto, sobre a palha colocada sobre c tijolo e retida por duas tábuas. (...) Não é um trabalho, uma tarefa, é uma tortura e infligem-na a crianças de seis a oito anos. (...) É esse longo suplício de todos os dias que mina sobretudo os operários nas fábricas de fiação de algodão'."
LAFARGUE, Paul. O direito à preguiça. Lisboa: Estampa, 1977. p.23-4
A REALIDADE DO TRABALHO INFANTIL
“(...) A exploração do trabalho infantil constituise num grave problema social A Constituição proíbe qualquer trabalho infantil antes de a criança completar 14 anos de idade, salvo na condição de aprendiz, situação permitida apenas a partir dos 12 anos. Mesmo assim, tal atividade deve ser reconhecidamente leve, excluindo-se, por exemplo, o trabalho exercido nas indústrias, nas oficinas e na agricultura.
Registro um fato importante: estando a criança ou o adolescente trabalhando, é fundamental que lhe seja assegurada a oportunidade de educação. Dentro da chamada mão-de-obra invisível, as crianças e os adolescentes não aparecem nas estatísticas oficiais e não têm direitos trabalhistas e benefícios previdenciários garantidos. Mas, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), formam no Brasil um exército silencioso de 7,5 milhões de menores, que não têm infância e trabalham como adultos. Técnicos do Ministério do Trabalho já constataram crianças com chupeta na boca e uma enxada em suas mãos. A tragédia infanto-juvenil no campo deve ser hoje a grande preocupação do governo federal. As crianças ingressam no trabalho a partir dos 6 ou 7 anos.
Trabalham em média dez horas, em troca de uma remuneração que varia de R$ 2,00 a R$ 6,00 por dia. Tais valores são ainda menores se a mão-de-obra for feminina. As crianças trabalham, mas não vêem a cor do dinheiro, porque o pagamento vai direto para a mão dos pais como forma de complementação salarial.
O emprego da mão-de-obra infantil na agricultura pode ser constatado em quase todas as regiões do país, conforme os dados a seguir: São Paulo - colheita de laranjas e indústrias de calçados (convivendo com o cheiro da cola); Rio de Janeiro -colheita da cana-de-açúcar e de laranjas; Goiás - lavouras de tomate; Mato Grosso do Sul -carvoarias e colheita da erva-mate; Bahia - sisal; Alagoas - produção do fumo; Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte - salinas; Paraíba - redes, colchas e mantas; etc. No Nordeste, a maioria das crianças trabalha na cultura da cana-de-açúcar. Somente na Zona da Mata pernambucana são mais de 70 mil crianças e adolescentes, representando 30% da força de trabalho no setor canavieiro. Próximo à moagem da cana-deaçúcar, esse número eleva-se para 120 mil crianças trabalhando. (...)"
SILVA, Benedita da. Opinião. In: Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 dez. 1996. p. 1-3.
Plano Filosofia 2º Ano do Ensino Médio 1º Bimestre 2011
2º ANO – 1º BIMESTRE - 2011
EIXO: O amor
COMPETÊNCIAS:
ALBERONI,F. A árvore da vida. Lisboa: Relógio d’Água, 1991.p.23-5.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro:Record, 1985.p.14.
BADINTER, Elisabeth. Um é o outro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. Petrópolis: Vozes, 1987. v.2.
FREIRE, Roberto. Ame e dê vexame. Rio de Janeiro: Guanabara, 1990.
______. e BRITO, Fausto. Utopia e paixão. Rio de Janeiro. Rocco, 1988.p.100.
FROMM, Erich. A arte de amar. Belo Horizonte: Itatiaia. 1976.p.28.
______. Psicanálise da sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
HELEIETH, I. B. Saffioti. Mulher e dignidade: dos mitos à libertação. São Paulo: Paulinas, 1989.p. 38.
KRISTIANSSON, Leif. Um amigo. Lisboa: Presença, 1973.p. 3-14.
LASH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.
_____. O mínimo eu. São Paulo: Brasiliense, 1987.
_____. Refúgio num mundo sem coração: a família – santuário ou instituição sitiada. São Paulo: Paz e Terra, 1991.
LUIJPEN,W. Introdução à fenomenologia existencial. São Paulo: EPU, 1973.
CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. Editora Ática. São Paulo: 2005.
RAMOS,Ricardo (org). A palavra é...amor. 5. Ed. São Paulo: Scipione,1994.
PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987.[Coleção Os pensadores]
CAVALCANTI, Raïssa. O mito de Narciso: o herói da consciência. São Paulo: Cultrix, 1992
Sugestões de Filmes:
A Guerra do Fogo, 1981, Jean-Jacques Annaud
Em Nome de Deus, 1988, Clive Donner
Quando um homem ama uma, 1994, Direção de Luis Mandoki
Minha Vida, 1993, Direção de Bruce Joel Rubin
Patch Adams - O Amor é Contagioso, 1998, Diretor: Tom Shadyac
21 gramas, 2003, Direção: Alejandro González-Iñárritu
Sugestão de Site:
http://www.planetaeducacao.com.br/
Sugestões de Textos:
A ARTE DE AMAR
O homem é dotado de razão; é a vida consciente de si mesma; tem, consciência de si, de: seus semelhantes, de seu passado e das possibilidades de seu futuro. Essa consciência de si mesmo como entidade separada, a consciência de seu próprio e curto período de vida, do fato de haver nascido sem ser por vontade própria e de ter de morrer contra sua vontade, de ter de morrer antes daqueles que ama, ou estes antes dele, a consciência de sua solidão e separação, de sua impotência ante as forças da natureza e da sociedade, tudo isso faz de sua existência apartada e desunida uma prisão insuportável. Ele ficaria louco se não pudesse libertar-se de tal prisão e alcançar os homens, unir-se de uma forma ou de outra com eles, com o mundo exterior.
UTOPIA E PAIXÃO
"É dos mais neuróticos e parasitários o amor que leva uma pessoa a achar a outra um pedaço de si mesma. (...)
O saudável, nas relações amorosas, seria primeiro, que as pessoas já tivessem conseguido crescer até o tamanho total de si própria. Depois, aprendesse a viver por si mesma e de si mesma. Só então acasalasse com alguém que tivesse tido igual desenvolvimento e soubesse viver de si mesma também. Assim, inteiros e juntos, começariam a viver sensações inéditas, extraordinárias, impossíveis de se viver sozinho e que não existem em nós nem sequer em semente. É o amor suplementar de que falamos. Nesse ponto, é bom proclamar o que se constitui em nossa ética fundamental: o amor não deve servir para coisa alguma, a não ser apenas para se amar.
Quando, por uma razão qualquer, a relação amorosa se desfaz, o que se desfaz de fato é só a relação amorosa e não as vidas e a integridade de cada um. E o que se tem observado é que, por mais denso que tenha sido o amor, quando ele se desfaz nas relações sadias (suplementares), surgem logo novos encontros, novos namoros e seduções; o amor pode se refazer. É outro, original, porém com intensidade e qualidade semelhante ao anterior."
Roberto Freire e Fausto Brito
O MITO DE NARCISO
“Em tempos idos, na Grécia, o rio Cefiso engravidou a ninfa Liríope. Meses depois, Liríope, apesar de não desejar a gravidez, deu a luz a uma criança de beleza extraordinária. Por causa disso, Liríope consultou o adivinho Tirésias sobre o futuro de seu filho, e ele vaticinou (profetizou) que Narciso viveria, desde que nunca visse sua própria imagem.
Sob essa condição, ele cresceu e tornou-se um moço tão belo quanto o fora quando criança. Não havia quem não se apaixonasse por ele. Narciso, entretanto, permanecia indiferente.
Um dia, porém, estando sedento, Narciso aproximou-se das águas plácidas de um lago e, ao curvar-se para beber, viu uma imagem refletida no espelho das águas. Maravilhado com sua própria figura, apaixonou-se por si mesmo. Desesperadamente, passou a precisar do objetivo de seu amor, viu que não conseguiria mais viver sem aquele ser deslumbrante. Sua vida reduziu-se à contemplação daquele jovem tão belo: desejava-o, queria possuí-lo. Desvairado, inclinando-se cada vez mais ao encontro do ser amado, mergulhou nos braços frio da morte.
Às margens do lago, nasceu uma entorpecedora flor: o narciso. Ela relembra para sempre o destino trágico daquele que , aparentemente apaixonado por si mesmo, era, na verdade, incapaz de amar”.
RECONHECIMENTO DO AMOR
Como nos enganamos fugindo ao amor!
Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar
sua espada coruscante, seu formidável
poder de penetrar o sangue e nele imprimir
uma orquídea de fogo e lágrimas.
Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu
Em doçura e celestes amavios.
Não queimava, não siderava; sorria,
Mal entendi, tonto que fui, esse sorriso,
Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor
Que trazia para mim e que teus dedos confirmavam
Ao se juntarem aos meus, na infantil procura do Outro,
o Outro que eu me supunha, o Outro que te imaginava,
quando – por esperteza do amor – senti que éramos um só.
Carlos Drummond de Andrade
Apaixonar...
“ Apaixonarmo-nos não é apenas sermos atraídos por uma pessoa, vê-la bela e desejável. É uma mudança interior de todo o ser; vemos o amado diferente porque nos tornamos diferentes. A nossa sensibilidade centuplicou-se, as cores tornaram-se luminosas, límpidos os sons. Pelo fato de o amarmos a ele, ao nosso amado, todas as outras pessoas nos surgem de outro modo. Antes de tudo mais humanas. Enquanto até aí mal a víamos, agora conseguimos intuir os seus sentimentos, é como se nos tivéssemos tornados capazes de nos pormos em comunicação com elas. Já não temos vontade de mentir. Sobretudo a nós próprios e ao ser amado. Percorremos de novo, na recordação, a nossa vida e percebemo-nos de que antes de termos encontrado quem amamos, esta vida era mesquinha, insípida. O ser amado não é a perfeição, vemos os seus defeitos; se é pequeno ou magro, ou tem o nariz comprido ou curto. Mas todas essas coisas deixam de se tornar defeitos, porque conseguimos agora ver a sua essencialidade e o seu valor. Os nossos olhos tornam-se capazes de descobrir a beleza do ser tal como é. E se o amado nos diz sim, então somos felizes e gostaríamos que o tempo parasse, e que todos os seres humanos fossem também felizes, e toda a humanidade e todo o universo a que nos sentimos unidos de modo íntimo e solidário.”
Albertoni
A ARTE DE AMAR
O amor não é, primacialmente, uma relação para com uma pessoa específica, é uma atitude, uma orientação de caráter, que determina a relação de alguém para com o mundo como um todo, e não para com um 'objeto' de amor. Se uma pessoa ama apenas a uma outra pessoa e é indiferente ao resto dos seus semelhantes, seu amor não é amor, mas um afeto simbiótico, ou um egoísmo ampliado.
Contudo, a maioria crê que o amor é constituído pelo objeto e não pela faculdade. De fato, acredita-se mesmo que a prova da intensidade do amor está em não amar ninguém além da pessoa 'amada'. Este é o mesmo equívoco de que acima já falamos. Por não se ver que o amor é uma atividade, uma força da alma, acredita-se que tudo quanto é necessário encontrar é o objeto certo - e tudo mais irá depois por si.
Tal atitude pode ser comparada à de alguém que queira pintar mas, em vez de aprender a arte, proclama que lhe basta esperar pelo objeto certo, passando a pintá-lo belamente quando o encontrar.
Se verdadeiramente amo alguém, então amo a todos, amo o mundo, amo a vida. Se posso dizer a outrem 'Eu te amo', devo ser capaz de dizer: "Amo em ti a todos, através de ti amo o mundo, amo-me a mim mesmo em ti".
Dizer que o amor é uma orientação que se refere a todos e não a um não implica, entretanto, a idéia de que não haja diferenças entre vários tipos de amor, que dependem da espécie de objeto que é amado.
Erich Fromm
TER O SEXO TORNOU FÁCIL, MAIS DIFICIL TER O AMOR
"Outra coisa, porém chama a minha atenção nos grupos de jovens que conheço: namoram muito e não namoram nada.
Namoram muito porque têm sempre um namorado ou uma namorada em campo, alguém em quem estão interessados, alguém que estão "azarando". Mas ao mesmo tempo não namoram nada, porque essas relações são muito inconsistentes. O casal se junta e se separa com a mesma facilidade. Não há amor, não há envolvimento. Há desejo hepidérmico. na verdade, não são namoros, são causalidades.
E como começam muito cedo, de uma causalidade em outra passa-se o tempo. Agradável a princípio, excitante, uma espécie de tiroteio cerrado de desejo, de busca, de troca. Mas cansativo a longo prazo, desapontador. Do amor afinal, esperavam mais do que isso.
Quando eu tinha 16 anos não se ia para a cama. Em compensação amava-se deliberadamente. Vai ver era por isso mesmo: não indo para a cama não se "esvaziava" o desejo, não se matava a sede, e então durante meses e meses, ia-se procurar aplaca-la na boca do amado, nas mãos errantes na acolhedora escuridão das matinês. Dentro de mim eu era uma grande eroína romântica, estava vivendo um grande amor .
Naquele tempo faltava uma coisa, hoje falta outra. Eu não podia me dar ao sexo. Eles não conseguem se dar ao amor. As moças com quem converso dizem que gostariam, que têm vontade de ter um namoro mais consistente, mas que os rapazes não querem. Será verdade? Mas será que eles não querem mesmo? Ou será que como elas, querem e não conseguem.
A tendência é achar que não param em nenhum(uma), porque podem ter todos(as).
Se eu disser que fogem do envolvimento porque costumam ter em casa exemplos de relação tumultuadas ou desastrosas, estarei fazendo psicologismo barato, porque a minha geração também teve exemplos paternais nada animadores.
Acontece também que são filhos diretos da baixa do amor, do descrédito da relaçao, e da ênfase nas emoções tonitruantes. Enquanto deixam o amor de lado, procuram terremotos emocionais no "som", no "brilho", "nos riscos".
Mas uma idéia me ocorre e parece ser mais acertada. A de que os jovens estejam de forma inconsciente, fugindo do amor justamente porque podem ter o sexo.
Explico melhor: o amor é uma emoção importante, mas o sexo também, mas só o amor somado ao sexo constitui a emoção fundamental do ser humano. Ora, nem todos os jovens têm o mesmo grau de amadurecimento.
E nem todos eles se sentem prontos para chegar ao topo do seu universo emocional. Antes todos podiam ter amor, e só os mais maduros - ou mais inconscientes - se lançavam na completude amor/sexo.
Agora acontece exatamente o oposto: tendo o sexo, evitam somá-lo ao amor, adiando a sobrecarga emocional que não se sentem capazes de enfrentar".
COLASSANATI, Marina. E por falar em amor. Rio de Janeiro: Salamadra, 1984.p 01-2
A DEVORAÇÃO DA ESPERANÇA NO PRÓXIMO
No individualismo contemporâneo, a impessoalidade converteu-se em indiferença, e os elos afetivos da intimidade foram cercados do medo, reserva, reticência e desejo de autoproteção. Pouco a pouco desaprendemos a gostar de “gente”. Entre quatro paredes ou no anonimato das ruas, o semelhante não é mais o próximo solidário: é o inimigo que traz intranqüilidade, dor ou sofrimento. Conhecer alguém; aproximar-se de alguém; relacionar-se intimamente com alguém passou a ser uma tarefa cansativa. Tudo é motivo de conflito, desconfiança, incerteza e perplexidade. Ninguém satisfaz a ninguém. Na praça ou na casa vivemos – quando vivemos – uma felicidade de meio expediente em que reina a impressão de que perdemos a vida “em colherinhas de café”.
As elites ocidentais são elites sem causa e, no Brasil, estamos repetindo o que, secularmente, aprendemos a imitar. Como nossos modelos europeus e americanos, reagimos ao sentimento de miséria com medo; à opulência com apatia, imobilidade e conformismo. Construir um mundo justo? Para quê? Para quem? Por acaso um mundo mais justo seria aquele em que todos pudessem ter acesso ao que as elites têm?
Mas, o que têm as elites a oferecer? Consumo, tédio, insatisfação e ostentação. Bem ou mal, em nossa tradição moral e intelectual, respondíamos às crises de identidade, reinventando utópicas formas de vida em mundos melhores.
Hoje aposentamos os “Rousseau”. Em vez de utopias, manuais de auto-ajuda, psicofármacos, cocaína, e terapêuticos diversos para os que têm dinheiro; banditismo, vagabundagem, mendicância ou religiosismo fanático para os que apenas sobrevivem.
Fizemos de nossas vidas claustros sem virtudes; encolhemos nossos sonhos para que coubessem em nossas ínfimas singularidades interiores; vasculhamos nossos corpos, sexos e sentimentos com a obsessão de quem vive um transe narcísico, e, enfim, aqui estamos nós, prisioneiros de cartões de crédito, carreiras de cocaína e da dolorosa consciência de que nenhuma fantasia sexual ou romântica pode saciar a voracidade com que desejamos ser felizes. Sozinhos em nossa descrença, suplicamos proteção a economistas, policiais, especuladores e investidores estrangeiros, como se algum deles pudesse restituir a esperança “no próximo” que a lógica da mercadoria devorou.
FREIRE COSTA, Jurandir. Folha de S. Paulo, 22.09.1996. Mais 5º. Caderno
AMA E FAZE O QUE QUISERES
Santo Agostinho também procurou refletir sobre a melhor conduta que o ser humano devia seguir, delineando uma ética harmonizada com os preceitos morais cristãos. Na vida, há experiências que proporcionam prazer; entretanto, elas são apenas alegrias parciais e transitórias, incomparáveis com a felicidade absoluta de estar na presença de Deus. Essas experiências devem servir para que o homem dirija seu espírito ao verdadeiro bem, que é alcançável somente através de Jesus Cristo. Por exemplo, a contemplação das belezas naturais (como o céu, os mares, os animais, etc.) não deve ser apreciada como um fim em si mesma, mas sim como uma pequena amostra da verdadeira beleza, da alegria infinita que somente o criador de todas as coisas pode oferecer. Para Santo Agostinho, o amor é a essência da substância divina, está presente em todos os homens e é a energia que move o comportamento humano. Por isso, é por meio de seu direcionamento para a busca das verdades superiores que o homem pode atingir a felicidade de repousar em Deus. Em outras palavras, isso significa amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo, como determinam os evangelhos. O amor, entretanto, pode se dirigir para coisas passageiras, como o prazer carnal. Nesse caso, ele estará se desviando de sua natureza, que é a de almejar os prazeres superiores.
Por meio desse raciocínio, chegamos à definição agostiniana de “mal”. Nas palavras de Santo Agostinho, o mal é: “a perversão da vontade desviada da substância suprema”. É o amor dirigido às criaturas como se elas tivessem valor por si mesmas, como se a sua Beleza, o prazer que proporcionam ou o afeto com que retribuem o amor não se originassem do ato de amor infinito de Deus: a criação.
Assim decifra-se o dito agostiniano “ama e faze o que quiseres”: se o homem ama verdadeiramente, isto é, como Deus ama, com gratuidade e fazendo o bem aos outros, sua vontade será guiada corretamente; por isso, ser e agir conforme a própria vontade, iluminada pelo amor divino é a garantia de que essa liberdade de ação será justa, ou seja, ética. O amor que conduz o homem a agir corretamente segundo a vontade de Deus, conforme Santo Agostinho ensinou, só vem a existir no coração dos indivíduos pela ação da “graça”, na exposição da polêmica que o bispo de Hipona manteve contra a heresia dos pelagianos.
CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. Editora Ática. São Paulo: 2005.
EIXO: O amor
COMPETÊNCIAS:
- Aplicar conhecimentos filosóficos no plano existencial, nos projetos de vida e nas relações sociais.
- Compreender e aplicar no plano pessoal e social o amor como elemento metafísico fundamental no estabelecimento do respeito ao próximo e à humanidade em sentido amplo.
- Ler textos filosóficos de modo significativo;
- Ampliar gradativamente o alcance da leitura filosófica;
- Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo;
- Conviver de modo racional e humano com o os outros.
- Compreender e aplicar a responsabilidade como elemento fundamental na convivência humana.
- A necessidade do amor
- O microscosmo do amor
- A relação homem - mulher
- O macroscosmo do amor
- A sociedade
- Narcisismo
- A impossibilidade do amor
- Amor como elemento fundamental da humanização da pessoa.
ALBERONI,F. A árvore da vida. Lisboa: Relógio d’Água, 1991.p.23-5.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro:Record, 1985.p.14.
BADINTER, Elisabeth. Um é o outro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. Petrópolis: Vozes, 1987. v.2.
FREIRE, Roberto. Ame e dê vexame. Rio de Janeiro: Guanabara, 1990.
______. e BRITO, Fausto. Utopia e paixão. Rio de Janeiro. Rocco, 1988.p.100.
FROMM, Erich. A arte de amar. Belo Horizonte: Itatiaia. 1976.p.28.
______. Psicanálise da sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
HELEIETH, I. B. Saffioti. Mulher e dignidade: dos mitos à libertação. São Paulo: Paulinas, 1989.p. 38.
KRISTIANSSON, Leif. Um amigo. Lisboa: Presença, 1973.p. 3-14.
LASH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.
_____. O mínimo eu. São Paulo: Brasiliense, 1987.
_____. Refúgio num mundo sem coração: a família – santuário ou instituição sitiada. São Paulo: Paz e Terra, 1991.
LUIJPEN,W. Introdução à fenomenologia existencial. São Paulo: EPU, 1973.
CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. Editora Ática. São Paulo: 2005.
RAMOS,Ricardo (org). A palavra é...amor. 5. Ed. São Paulo: Scipione,1994.
PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987.[Coleção Os pensadores]
CAVALCANTI, Raïssa. O mito de Narciso: o herói da consciência. São Paulo: Cultrix, 1992
Sugestões de Filmes:
A Guerra do Fogo, 1981, Jean-Jacques Annaud
Em Nome de Deus, 1988, Clive Donner
Quando um homem ama uma, 1994, Direção de Luis Mandoki
Minha Vida, 1993, Direção de Bruce Joel Rubin
Patch Adams - O Amor é Contagioso, 1998, Diretor: Tom Shadyac
21 gramas, 2003, Direção: Alejandro González-Iñárritu
Sugestão de Site:
http://www.planetaeducacao.com.br/
Sugestões de Textos:
A ARTE DE AMAR
O homem é dotado de razão; é a vida consciente de si mesma; tem, consciência de si, de: seus semelhantes, de seu passado e das possibilidades de seu futuro. Essa consciência de si mesmo como entidade separada, a consciência de seu próprio e curto período de vida, do fato de haver nascido sem ser por vontade própria e de ter de morrer contra sua vontade, de ter de morrer antes daqueles que ama, ou estes antes dele, a consciência de sua solidão e separação, de sua impotência ante as forças da natureza e da sociedade, tudo isso faz de sua existência apartada e desunida uma prisão insuportável. Ele ficaria louco se não pudesse libertar-se de tal prisão e alcançar os homens, unir-se de uma forma ou de outra com eles, com o mundo exterior.
Erich Fromm
Amigo
Um amigo é alguém com quem se está bem, mas um amigo é muito mais que isso, é alguém que pensa em ti quando não estás aqui, alguém que pede a Deus por ti, quando tens que fazer algo dificil. Nunca se está realmente só quando se tem um amigo.
Um amigo ouve o que tu dizes, e tenta compreender o que tu não sabes dizer. Mas um amigo não está sempre de acordo contigo, um amigo contradiz-te e obriga-te a pensar honestamente. Um amigo gosta de ti, mesmo que faças besteiras. Um amigo ensina-te a gostar de coisas novas, não teria imaginado estás coisas se estivesses sozinho.
Amigo é uma palavra bonita, é quase a melhor palavra!! Um amigo é alguém que tem sempre tempo para ti quando apareces.
Toda gente pode ter um amigo, mas não vivas tão apressado, que nem vejas que há alguém que quer ser teu amigo.
Um amigo é alguém que é para ti uma festa, alguém que pensa em ti e te ouve, e te ajuda a saber o que tu és. Alguém que está contigo, e não tem pressa. Alguém em quem tu podes acreditar! Quem é teu amigo?
Leif Kristiansson
UTOPIA E PAIXÃO
"É dos mais neuróticos e parasitários o amor que leva uma pessoa a achar a outra um pedaço de si mesma. (...)
O saudável, nas relações amorosas, seria primeiro, que as pessoas já tivessem conseguido crescer até o tamanho total de si própria. Depois, aprendesse a viver por si mesma e de si mesma. Só então acasalasse com alguém que tivesse tido igual desenvolvimento e soubesse viver de si mesma também. Assim, inteiros e juntos, começariam a viver sensações inéditas, extraordinárias, impossíveis de se viver sozinho e que não existem em nós nem sequer em semente. É o amor suplementar de que falamos. Nesse ponto, é bom proclamar o que se constitui em nossa ética fundamental: o amor não deve servir para coisa alguma, a não ser apenas para se amar.
Quando, por uma razão qualquer, a relação amorosa se desfaz, o que se desfaz de fato é só a relação amorosa e não as vidas e a integridade de cada um. E o que se tem observado é que, por mais denso que tenha sido o amor, quando ele se desfaz nas relações sadias (suplementares), surgem logo novos encontros, novos namoros e seduções; o amor pode se refazer. É outro, original, porém com intensidade e qualidade semelhante ao anterior."
Roberto Freire e Fausto Brito
O MITO DE NARCISO
“Em tempos idos, na Grécia, o rio Cefiso engravidou a ninfa Liríope. Meses depois, Liríope, apesar de não desejar a gravidez, deu a luz a uma criança de beleza extraordinária. Por causa disso, Liríope consultou o adivinho Tirésias sobre o futuro de seu filho, e ele vaticinou (profetizou) que Narciso viveria, desde que nunca visse sua própria imagem.
Sob essa condição, ele cresceu e tornou-se um moço tão belo quanto o fora quando criança. Não havia quem não se apaixonasse por ele. Narciso, entretanto, permanecia indiferente.
Um dia, porém, estando sedento, Narciso aproximou-se das águas plácidas de um lago e, ao curvar-se para beber, viu uma imagem refletida no espelho das águas. Maravilhado com sua própria figura, apaixonou-se por si mesmo. Desesperadamente, passou a precisar do objetivo de seu amor, viu que não conseguiria mais viver sem aquele ser deslumbrante. Sua vida reduziu-se à contemplação daquele jovem tão belo: desejava-o, queria possuí-lo. Desvairado, inclinando-se cada vez mais ao encontro do ser amado, mergulhou nos braços frio da morte.
Às margens do lago, nasceu uma entorpecedora flor: o narciso. Ela relembra para sempre o destino trágico daquele que , aparentemente apaixonado por si mesmo, era, na verdade, incapaz de amar”.
RECONHECIMENTO DO AMOR
Como nos enganamos fugindo ao amor!
Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar
sua espada coruscante, seu formidável
poder de penetrar o sangue e nele imprimir
uma orquídea de fogo e lágrimas.
Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu
Em doçura e celestes amavios.
Não queimava, não siderava; sorria,
Mal entendi, tonto que fui, esse sorriso,
Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor
Que trazia para mim e que teus dedos confirmavam
Ao se juntarem aos meus, na infantil procura do Outro,
o Outro que eu me supunha, o Outro que te imaginava,
quando – por esperteza do amor – senti que éramos um só.
Carlos Drummond de Andrade
Apaixonar...
“ Apaixonarmo-nos não é apenas sermos atraídos por uma pessoa, vê-la bela e desejável. É uma mudança interior de todo o ser; vemos o amado diferente porque nos tornamos diferentes. A nossa sensibilidade centuplicou-se, as cores tornaram-se luminosas, límpidos os sons. Pelo fato de o amarmos a ele, ao nosso amado, todas as outras pessoas nos surgem de outro modo. Antes de tudo mais humanas. Enquanto até aí mal a víamos, agora conseguimos intuir os seus sentimentos, é como se nos tivéssemos tornados capazes de nos pormos em comunicação com elas. Já não temos vontade de mentir. Sobretudo a nós próprios e ao ser amado. Percorremos de novo, na recordação, a nossa vida e percebemo-nos de que antes de termos encontrado quem amamos, esta vida era mesquinha, insípida. O ser amado não é a perfeição, vemos os seus defeitos; se é pequeno ou magro, ou tem o nariz comprido ou curto. Mas todas essas coisas deixam de se tornar defeitos, porque conseguimos agora ver a sua essencialidade e o seu valor. Os nossos olhos tornam-se capazes de descobrir a beleza do ser tal como é. E se o amado nos diz sim, então somos felizes e gostaríamos que o tempo parasse, e que todos os seres humanos fossem também felizes, e toda a humanidade e todo o universo a que nos sentimos unidos de modo íntimo e solidário.”
Albertoni
A ARTE DE AMAR
O amor não é, primacialmente, uma relação para com uma pessoa específica, é uma atitude, uma orientação de caráter, que determina a relação de alguém para com o mundo como um todo, e não para com um 'objeto' de amor. Se uma pessoa ama apenas a uma outra pessoa e é indiferente ao resto dos seus semelhantes, seu amor não é amor, mas um afeto simbiótico, ou um egoísmo ampliado.
Contudo, a maioria crê que o amor é constituído pelo objeto e não pela faculdade. De fato, acredita-se mesmo que a prova da intensidade do amor está em não amar ninguém além da pessoa 'amada'. Este é o mesmo equívoco de que acima já falamos. Por não se ver que o amor é uma atividade, uma força da alma, acredita-se que tudo quanto é necessário encontrar é o objeto certo - e tudo mais irá depois por si.
Tal atitude pode ser comparada à de alguém que queira pintar mas, em vez de aprender a arte, proclama que lhe basta esperar pelo objeto certo, passando a pintá-lo belamente quando o encontrar.
Se verdadeiramente amo alguém, então amo a todos, amo o mundo, amo a vida. Se posso dizer a outrem 'Eu te amo', devo ser capaz de dizer: "Amo em ti a todos, através de ti amo o mundo, amo-me a mim mesmo em ti".
Dizer que o amor é uma orientação que se refere a todos e não a um não implica, entretanto, a idéia de que não haja diferenças entre vários tipos de amor, que dependem da espécie de objeto que é amado.
Erich Fromm
TER O SEXO TORNOU FÁCIL, MAIS DIFICIL TER O AMOR
"Outra coisa, porém chama a minha atenção nos grupos de jovens que conheço: namoram muito e não namoram nada.
Namoram muito porque têm sempre um namorado ou uma namorada em campo, alguém em quem estão interessados, alguém que estão "azarando". Mas ao mesmo tempo não namoram nada, porque essas relações são muito inconsistentes. O casal se junta e se separa com a mesma facilidade. Não há amor, não há envolvimento. Há desejo hepidérmico. na verdade, não são namoros, são causalidades.
E como começam muito cedo, de uma causalidade em outra passa-se o tempo. Agradável a princípio, excitante, uma espécie de tiroteio cerrado de desejo, de busca, de troca. Mas cansativo a longo prazo, desapontador. Do amor afinal, esperavam mais do que isso.
Quando eu tinha 16 anos não se ia para a cama. Em compensação amava-se deliberadamente. Vai ver era por isso mesmo: não indo para a cama não se "esvaziava" o desejo, não se matava a sede, e então durante meses e meses, ia-se procurar aplaca-la na boca do amado, nas mãos errantes na acolhedora escuridão das matinês. Dentro de mim eu era uma grande eroína romântica, estava vivendo um grande amor .
Naquele tempo faltava uma coisa, hoje falta outra. Eu não podia me dar ao sexo. Eles não conseguem se dar ao amor. As moças com quem converso dizem que gostariam, que têm vontade de ter um namoro mais consistente, mas que os rapazes não querem. Será verdade? Mas será que eles não querem mesmo? Ou será que como elas, querem e não conseguem.
A tendência é achar que não param em nenhum(uma), porque podem ter todos(as).
Se eu disser que fogem do envolvimento porque costumam ter em casa exemplos de relação tumultuadas ou desastrosas, estarei fazendo psicologismo barato, porque a minha geração também teve exemplos paternais nada animadores.
Acontece também que são filhos diretos da baixa do amor, do descrédito da relaçao, e da ênfase nas emoções tonitruantes. Enquanto deixam o amor de lado, procuram terremotos emocionais no "som", no "brilho", "nos riscos".
Mas uma idéia me ocorre e parece ser mais acertada. A de que os jovens estejam de forma inconsciente, fugindo do amor justamente porque podem ter o sexo.
Explico melhor: o amor é uma emoção importante, mas o sexo também, mas só o amor somado ao sexo constitui a emoção fundamental do ser humano. Ora, nem todos os jovens têm o mesmo grau de amadurecimento.
E nem todos eles se sentem prontos para chegar ao topo do seu universo emocional. Antes todos podiam ter amor, e só os mais maduros - ou mais inconscientes - se lançavam na completude amor/sexo.
Agora acontece exatamente o oposto: tendo o sexo, evitam somá-lo ao amor, adiando a sobrecarga emocional que não se sentem capazes de enfrentar".
COLASSANATI, Marina. E por falar em amor. Rio de Janeiro: Salamadra, 1984.p 01-2
A DEVORAÇÃO DA ESPERANÇA NO PRÓXIMO
No individualismo contemporâneo, a impessoalidade converteu-se em indiferença, e os elos afetivos da intimidade foram cercados do medo, reserva, reticência e desejo de autoproteção. Pouco a pouco desaprendemos a gostar de “gente”. Entre quatro paredes ou no anonimato das ruas, o semelhante não é mais o próximo solidário: é o inimigo que traz intranqüilidade, dor ou sofrimento. Conhecer alguém; aproximar-se de alguém; relacionar-se intimamente com alguém passou a ser uma tarefa cansativa. Tudo é motivo de conflito, desconfiança, incerteza e perplexidade. Ninguém satisfaz a ninguém. Na praça ou na casa vivemos – quando vivemos – uma felicidade de meio expediente em que reina a impressão de que perdemos a vida “em colherinhas de café”.
As elites ocidentais são elites sem causa e, no Brasil, estamos repetindo o que, secularmente, aprendemos a imitar. Como nossos modelos europeus e americanos, reagimos ao sentimento de miséria com medo; à opulência com apatia, imobilidade e conformismo. Construir um mundo justo? Para quê? Para quem? Por acaso um mundo mais justo seria aquele em que todos pudessem ter acesso ao que as elites têm?
Mas, o que têm as elites a oferecer? Consumo, tédio, insatisfação e ostentação. Bem ou mal, em nossa tradição moral e intelectual, respondíamos às crises de identidade, reinventando utópicas formas de vida em mundos melhores.
Hoje aposentamos os “Rousseau”. Em vez de utopias, manuais de auto-ajuda, psicofármacos, cocaína, e terapêuticos diversos para os que têm dinheiro; banditismo, vagabundagem, mendicância ou religiosismo fanático para os que apenas sobrevivem.
Fizemos de nossas vidas claustros sem virtudes; encolhemos nossos sonhos para que coubessem em nossas ínfimas singularidades interiores; vasculhamos nossos corpos, sexos e sentimentos com a obsessão de quem vive um transe narcísico, e, enfim, aqui estamos nós, prisioneiros de cartões de crédito, carreiras de cocaína e da dolorosa consciência de que nenhuma fantasia sexual ou romântica pode saciar a voracidade com que desejamos ser felizes. Sozinhos em nossa descrença, suplicamos proteção a economistas, policiais, especuladores e investidores estrangeiros, como se algum deles pudesse restituir a esperança “no próximo” que a lógica da mercadoria devorou.
FREIRE COSTA, Jurandir. Folha de S. Paulo, 22.09.1996. Mais 5º. Caderno
AMA E FAZE O QUE QUISERES
Santo Agostinho também procurou refletir sobre a melhor conduta que o ser humano devia seguir, delineando uma ética harmonizada com os preceitos morais cristãos. Na vida, há experiências que proporcionam prazer; entretanto, elas são apenas alegrias parciais e transitórias, incomparáveis com a felicidade absoluta de estar na presença de Deus. Essas experiências devem servir para que o homem dirija seu espírito ao verdadeiro bem, que é alcançável somente através de Jesus Cristo. Por exemplo, a contemplação das belezas naturais (como o céu, os mares, os animais, etc.) não deve ser apreciada como um fim em si mesma, mas sim como uma pequena amostra da verdadeira beleza, da alegria infinita que somente o criador de todas as coisas pode oferecer. Para Santo Agostinho, o amor é a essência da substância divina, está presente em todos os homens e é a energia que move o comportamento humano. Por isso, é por meio de seu direcionamento para a busca das verdades superiores que o homem pode atingir a felicidade de repousar em Deus. Em outras palavras, isso significa amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo, como determinam os evangelhos. O amor, entretanto, pode se dirigir para coisas passageiras, como o prazer carnal. Nesse caso, ele estará se desviando de sua natureza, que é a de almejar os prazeres superiores.
Por meio desse raciocínio, chegamos à definição agostiniana de “mal”. Nas palavras de Santo Agostinho, o mal é: “a perversão da vontade desviada da substância suprema”. É o amor dirigido às criaturas como se elas tivessem valor por si mesmas, como se a sua Beleza, o prazer que proporcionam ou o afeto com que retribuem o amor não se originassem do ato de amor infinito de Deus: a criação.
Assim decifra-se o dito agostiniano “ama e faze o que quiseres”: se o homem ama verdadeiramente, isto é, como Deus ama, com gratuidade e fazendo o bem aos outros, sua vontade será guiada corretamente; por isso, ser e agir conforme a própria vontade, iluminada pelo amor divino é a garantia de que essa liberdade de ação será justa, ou seja, ética. O amor que conduz o homem a agir corretamente segundo a vontade de Deus, conforme Santo Agostinho ensinou, só vem a existir no coração dos indivíduos pela ação da “graça”, na exposição da polêmica que o bispo de Hipona manteve contra a heresia dos pelagianos.
CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. Editora Ática. São Paulo: 2005.
Plano Filosofia 1º Ano do Ensino Médio - 1º Bimestre 2011
1º ANO – 1º BIMESTRE -2011
EIXO: O filosofar
COMPETÊNCIAS:
HABILIDADES:
CONTEÚDOS MÍNIMOS:
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 4ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
ARANHA, M. L. A e MARTINS, M.H. P. Filosofando. Introdução à Filosofia. São Paulo: Ed. Moderna. 1993.
ARISTÓTELES, In: Reale, Giovanni (Ed.). Metafísica. São Paulo. Loyola, 2002. V. I.
BORNHEIM, G. Introdução ao Filosofar. São Paulo: Ed. Globo, 1989.
BRANDÃO, Juanito de S. Mitologia grega. Petrópolis: Vozes, 1991.
CHAUI, M. Convite ao Filosofar. São Paulo: Ed. Ática, 1997.
CORDI e outros. Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 1999.
FOUCAULT, Michel. Sobre a Filosofia. In Estética dell’esistenza, Etica, Politica, v. 3.
FOUGEYROLLAS, P. A filosofia em questão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1972.
GAARDER, Jostein. O que é Filosofia. In: O Mundo de Sofia. Companhia das Letras.
GILES, THOMAS. Introdução à filosofia. São Paulo: EPU/Edusp, 1979.
NIETZSCHE, Friedrich. Obras incompletas: São Paulo: Abril, 1974 p. 375 (Os Pensadores, 32)
Sugestões de Sites:
http://www.filosofia.pro.br/.
http://www.mundodosfilosofos.com.br/
http://www.video.globo.com/ - acione a busca pelo nome da autora: Viviane Mosé .
http://www.dominiopublico.com.br/
Sugestões de Filmes:
Sugestões de Textos:
O QUE É FILOSOFIA?
EIXO: O filosofar
COMPETÊNCIAS:
- Compreender e contextualizar conhecimentos filosóficos, no plano sociopolítico, histórico, metafísico e cultural.
- Aplicar conhecimentos filosóficos no plano existencial, nos projetos de vida e nas relações sociais.
HABILIDADES:
- Ler textos filosóficos de modo significativo;
- Ampliar gradativamente o alcance da leitura filosófica;
- Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo;
- Debater, tomando uma posição, defendendo-a argumentativamente e mudando de posição face a argumentos mais consistentes;
- Desenvolver no educando a capacidade de compreender a realidade, buscando respostas e caminhos diferentes para as mesmas questões, tanto no âmbito da escrita como da oralidade;
- Desenvolver no educando a percepção de que a verdade é dialética e atemporal, não tendo nenhum segmento do conhecimento a exclusividade de sua posse.
CONTEÚDOS MÍNIMOS:
- O que é filosofia
- Diferença entre senso comum e conhecimento filosófico
- Conceitos filosóficos básicos
- Mito X Filosofia
- O conceito de verdade
- O conceito de natureza
- O conceito de responsabilidade
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 4ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
ARANHA, M. L. A e MARTINS, M.H. P. Filosofando. Introdução à Filosofia. São Paulo: Ed. Moderna. 1993.
ARISTÓTELES, In: Reale, Giovanni (Ed.). Metafísica. São Paulo. Loyola, 2002. V. I.
BORNHEIM, G. Introdução ao Filosofar. São Paulo: Ed. Globo, 1989.
BRANDÃO, Juanito de S. Mitologia grega. Petrópolis: Vozes, 1991.
CHAUI, M. Convite ao Filosofar. São Paulo: Ed. Ática, 1997.
CORDI e outros. Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 1999.
FOUCAULT, Michel. Sobre a Filosofia. In Estética dell’esistenza, Etica, Politica, v. 3.
FOUGEYROLLAS, P. A filosofia em questão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1972.
GAARDER, Jostein. O que é Filosofia. In: O Mundo de Sofia. Companhia das Letras.
GILES, THOMAS. Introdução à filosofia. São Paulo: EPU/Edusp, 1979.
NIETZSCHE, Friedrich. Obras incompletas: São Paulo: Abril, 1974 p. 375 (Os Pensadores, 32)
Sugestões de Sites:
http://www.filosofia.pro.br/.
http://www.mundodosfilosofos.com.br/
http://www.video.globo.com/ - acione a busca pelo nome da autora: Viviane Mosé .
http://www.dominiopublico.com.br/
Sugestões de Filmes:
- O Carteiro e o Poeta , 1994 , Direção: Michael Radford
- Matrix , Irmãos Wachowski, 1999
- A Ilha, de Michael Bay de 2005
- A Fuga das Galinhas - Chicken Run, Inglaterra, 2000
Sugestões de Textos:
O QUE É FILOSOFIA?
“Qual é a coisa mais importante da vida?"
Se fazemos essa pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, a resposta será: a comida. Se fazemos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E quando perguntamos a alguém que se sente sozinho e isolado, então, certamente, a resposta será: a companhia de outras pessoas.
Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão.
É claro que todo mundo precisa de comida, de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos.
(...) Embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam filósofos. Por diferentes motivos, a maioria delas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida. Um filósofo nunca é capaz de se habituar completamente com este mundo. Para ele, o mundo continua a ter algo de incompreensível, algo até de enigmático, de secreto, embora a maioria das pessoas vivencie o mundo como uma coisa absolutamente normal. Isso quer dizer que ele sempre vê as coisas com espanto, a admiração ou a curiosidade, como se fosse a primeira vez.
(...) Em algum lugar, dentro de nós, alguma coisa nos diz que a vida é um grande enigma. E já experimentamos isto, muito antes de aprendermos a pensar. ”
GAARDER, Jostein. O que é Filosofia. In: O Mundo de Sofia. Companhia das Letras.
O que é a filosofia senão um modo de refletir, não tanto sobre aquilo que é verdadeiro e aquilo que é falso, mas sobre a nossa relação com a verdade? (...) Não há nenhuma filosofia soberana, é verdade, mas há uma filosofia ou, melhor, há filosofia em atividade. A filosofia é o movimento pelo qual nos libertamos – com esforços, hesitações, sonhos e ilusões – daquilo que passa por verdadeiro, a fim de buscar outras regras do jogo. A filosofia é o deslocamento e a transformação das molduras de pensamento, a modificação dos valores estabelecidos, e todo o trabalho que se faz para pensar diversamente, para fazer diversamente, para tornar-se outro do que se é (...)
FOUCAULT, Michel. Sobre a Filosofia. In Estética dell’esistenza, Etica, Politica, v. 3.
AUTORIDADE DO MITO
“O mito conta uma história sagrada, quer dizer, um acontecimento primordial que teve lugar no começo do Tempo, ab initio. Mas contar uma história sagrada equivale a revelar um mistério, pois as personagens do mito não são seres humanos: são deuses ou Heróis civilizadores. Por esta razão suas gesta constituem mistérios: o homem não poderia conhecê-los se não lhe fossem revelados. O mito é pois a história do que se passou in illo tempore, a narração daquilo que os deuses ou os Seres divinos fizeram no começo do Tempo. “Dizer” um mito é proclamar o que se passou ab origine. Uma vez “dito”, quer dizer, revelado, o mito torna-se verdade apodítica: funda a verdade absoluta. “É assim porque foi dito que é assim”, declaram os esquimós netsilik a fim de justificar a validade de sua história sagrada e suas tradições religiosas. O mito proclama a aparição de uma nova “situação” cósmica ou de um acontecimento primordial. Portanto, é sempre a narração de uma “criação”: conta se como qualquer coisa foi efetuada, começou a ser É por isso que o mito é solidário da ontologia: só fala das realidades, do que aconteceu realmente, do que se manifestou plenamente.”
O Sagrado e o Profano - Mircea Eliade
A MARAVILHA COMO INÍCIO DO FILOSOFAR
"A maravilha sempre foi, antes como agora, a causa pela qual os homens começaram a filosofar: a princípio, surpreendiam-se com as dificuldades mais comuns; depois, avançando passo a passo, tentavam explicar fenômenos maiores, como, por exemplo, as fases da lua o curso do sol e dos astros e, finalmente, a formação do universo. Procurar uma explicação é admirar-se; é reconhecer-se ignorante. Por isso, pode-se dizer que sob certo aspecto o filósofo é também amante do MITO: uma vez que o MITO se compõe de maravilhas."
Aristóteles, In: Reale, Giovanni (Ed.). Metafísica. São Paulo. Loyola, 2002. V. I.
FEBRE JÔNICA
Quando a Babilônia e o Egito declinaram chegou a vez da Grécia. No começo, desenvolveu-se a cosmologia grega quase no mesmo sentido: o mundo de Homero é outra ostra, mais colorida, um disco flutuante rodeado pelo oceano. Porém, pela época em que os textos de Odisséia e da Ilíada se consolidaram na versão definitiva, verificou-se na Jônia, nas costas do Mar Egeu, um novo desenvolvimento. O sexto século antes de Cristo – o milagroso século de Buda, Confúcio e Lao-Tsé, dos filósofos jônicos e de Pitágoras – constituiu o ponto crítico da espécie humana. Foi como se uma aragem de março soprasse através deste planeta, da China a Samos, despertando a consciência do homem, como o sopro nas narinas de Adão. Na escola jônica de filosofia, o pensamento racional ia emergindo no mundo de sonho mitológico. Era o início da grande aventura: a indagação prometiana* das explicações naturais e causas racionais, que, nos 2 mil anos seguintes, transformaria a espécie mais radicalmente do que haviam feito os 200 mil anos anteriores.
Koestler, Arthur. Os sonâmbulos. São Paulo: Ibrasa, 1961, p. 5.
*Prometiano: próprio de Prometeu, personagem da mitologia grega que roubou o fogo aos deuses e o entregou aos homens, dando-lhes a possibilidade do conhecimento e do progresso. Zeus o puniu, acorrentando-o numa rocha para que uma águia lhe devorasse o fígado eternamente.
A FILOSOFIA COMO PROCURA DA VERDADE
Em seu pequeno e brilhante livro Introdução à Filosofia, o filósofo e psiquiatra alemão, Karl Jaspers insiste na idéia de que a essência da filosofia é a procura do saber e não a sua posse. Todavia, ela “se trai a si mesma quando degenera em dogmatismo, isto é, num saber posto em fórmula, definitivo, completo. Fazer filosofia é estar a caminho; as perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas, e cada resposta transforma-se numa nova pergunta”. Há, então, na pesquisa filosófica uma humildade autêntica que se opõe ao orgulhoso dogmatismo do fanático: o fanático está certo de possuir a verdade. Assim sendo, ele não tem mais necessidade de pesquisar e sucumbe à tentação de impor sua verdade a outrem. Acreditando estar com a verdade, ele não tem mais o cuidado de se tornar verdadeiro; a verdade é seu bem, sua propriedade, enquanto para o filósofo é uma exigência. No caso do fanático, a busca da verdade degradou-se na ilusão da posse de uma certeza. Ele se acredita o proprietário da certeza, ao passo que o filósofo esforça-se por ser peregrino da verdade. A humildade filosófica consiste em dizer que a verdade não pertence mais a mim que a ti, mas que ela está diante de nós. Assim, a consciência filosófica não é uma consciência feliz, satisfeita com a posse de um saber absoluto, nem uma consciência infeliz, presa das torturas de um ceticismo irremediável. Ela é uma consciência inquieta, insatisfeita com o que possui, mas à procura de uma verdade para a qual se sente talhada.
HUISMAN, Denis; VERGEZ, A. Ação. 2. ed. SP: Freitas Bastos, 1966, v. 1, p. 24.
POEMA
”Sozinho vou agora, meus discípulos! Também vós, ide embora, e sozinhos! Assim quero eu.
Afastai-vos de mim e defendei-vos de Zaratustra! E, melhor ainda: envergonhai-vos dele! Talvez vos tenha enganado.
O homem do conhecimento não precisa somente amar seus inimigos, precisa também poder odiar seus amigos.
Paga-se mal a um mestre, quando se continua sempre a ser apenas o aluno. E por que não quereis arrancar minha coroa de louros?
Vós me venerais, mas, e se um dia vossa veneração desmoronar? Guardai-vos de que não vos esmague uma estatua!
Dizeis que acreditais em Zaratustra? Mas que importa Zaratustra ! Sois meus crentes, mas que importam todos os crentes!
Ainda não vos havíeis procurado: então me encontrastes. Assim fazem todos os crentes; por isso importa tão pouco toda crença.
Agora vos mando me perderdes e vos encontrardes; e somente quando me tiverdes todos renegado eu retornarei a vós... Apesar do inverno mais rigoroso, e do verão ainda, mais inclemente, por causa do aquecimento global, (meu caro, Alvani Correia), aproveito os momentos de dúvidas, depois de uma leitura em voz alta deste poema, para compartilhar a solidão a dois, como nos ensina Baruch Spinosa. Afinal, o príncipe dos filósofos moderno, já dizia que “não existem bem e mal como ensina a tradição judaico-cristã, mas apenas o bom e o mau encontro”.
NIETZSCHE, Friedrich. Obras incompletas: São Paulo: Abril, 1974 p. 375 (Os Pensadores, 32)
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
O ensino da Filosofia no Ensino Médio
A sociedade exige que os indivíduos sejam sujeitos de si mesmos, sujeitos conscientes de sua história, criativos e atuantes, e não mais meros executores de tarefas. A educação, principalmente a escolar, deve ocupar-se com a formação de um indivíduo crítico e responsável socialmente pelos seus atos.
A possibilidade da formação deste indivíduo deve ser viabilizada para a criança, o adolescente e o jovem. Ela não se dá espontaneamente, uma das formas de viabilizá-la é através do processo ensino-aprendizagem das ciências, da filosofia, das artes, e da experiência de vida de cada um.
A Filosofia, enquanto componente curricular deve garantir não só a visão de totalidade da história e do processo do conhecimento, sem negar a necessidade de especialização hoje imposta, mas também desenvolver no educando a sua capacidade de buscar, através da leitura, da observação, da percepção de transformações ocorridas a partir da sua própria interferência em situações sociais, o melhor caminho historicamente possível para a organização da vida em sociedade.
O ensino da Filosofia deve propiciar ao adolescente o instrumental básico à elaboração de uma reflexão sobre o mundo, e sobre si mesmo no mundo, de forma a possibilitar-lhe a conquista de uma autonomia crescente no seu pensar e agir.
No ensino médio, a Filosofia deve auxiliar o aluno a:
• aprender e fixar a leitura interpretativa de textos teóricos;
• aprender conceitos, saber relacioná-los entre si e aplicá-los em sua realidade;
• reconhecer-se como ser produtor de cultura e, portanto, da história;
• compreender a produção do pensamento como enfrentamento dos desafios humanos;
• compreender o papel da reflexão, em especial, o da filosófica;
• saber construir "universos" históricos de diferentes tempos em seu pensamento sem preconceitos;
• situar-se como cidadão no mundo em que vive, percebendo o seu caráter histórico e a sua dimensão de liberdade;
• compreender o conhecimento como possibilidade de libertação social;
• compreender o pensamento do seu mundo como síntese de diferentes culturas anteriores e concomitantes a ele;elaborar criticamente seu próprio pensar a partir de notícias/análises de jornais/revistas e de suas vivências concretas.
"Se não tivermos presente a tradição histórica, seremos como selvagens modernos na selva da cidade." (Jostein Gaarder)
"A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo." (Merleau-Ponty)
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
SOCIALIZANDO UMA EXPERIÊNCIA COM PROJETO EM SALA DE AULA
O trabalho com projetos em sala de aula propicia uma rica e vasta troca de experiências entre alunos e alunos, como também alunos e professor. Tive a oportunidade de vivenciar, por meio da observação e da participação, do desenvolvimento de um projeto educativo na área da filosofia, no Instituto Presbiteriano Vale do Tocantins, do Projeto “Como se constroem as ideologias”, na 2ª série do Ensino Médio.
O projeto tinha como objetivos fazer com os alunos após seu término fossem capazes de conceituar ideologia, interpretar os discursos orais e escritos identificando os indícios ideológicos e identificar os mecanismos sociais utilizados para a construção das ideologias.
Para o desenvolvimento do projeto a professor buscou a interdisciplinaridade com os professores de Artes, História e Português. Da Arte por meio do estudo da música como expressão dos sentimentos, experiências sociais, culturais e ideológicas de uma sociedade. A História enfatizou como cada sociedade de acordo com seu tempo histórico e suas vivências sociais, culturais e políticas constroem seus conceitos, valores e ideologias. A área de Português teve a responsabilidade de auxiliar os alunos na interpretação e compreensão dos textos e hipertextos estudados.
Utilizou metodologias como aulas expositivas dialogadas com apresentação de data show, estudos de textos e hipertextos sobre o tema e de músicas, realização de pesquisas na internet no laboratório de informática e atividades individuais e em grupo. Os recursos tecnológicos como podem perceber pelas metodologias adotadas, fizeram-se presentes no desenrolar do projeto, como o uso de computadores, hipertextos, data show, aparelhos de som e outros.
A utilização do projeto se dos recursos tecnológicos para o trabalho pedagógico com tema proposto tornou a transposição didática dos conceitos de ideologia e como se constroem as ideologias mais dinâmica, atraente e de fácil compreensão por parte dos alunos, observou-se ainda que houve maior envolvimento tantos dos professores das áreas envolvidas como dos alunos. Desta forma, podemos concluir que a utilização de projetos e de recursos tecnológicos facilita e enriquece a execução do processo de ensino e contribui para a aprendizagem do aluno.
Projeto: Como se constroem as ideologias
Projeto: Como se constroem as ideologias
Componente Curricular: Filosofia
Modalidade/Nível de Ensino: Ensino Médio – 2ª Série
Conteúdo: Ideologia
1 Apresentação
Difícil encontrar na ciência social um conceito tão complexo, tão cheio de significados, quando ao conceito de ideologia. Nele se dá uma acumulação fantástica de contradições, de paradoxos, de arbitrariedades, de ambiguidades, de equívocos e de mal entendidos, o que torna exatamente difícil encontrar o seu caminho nesse labirinto. E para facilitar e despertar no aluno o desejo de compreender como nascem as ideologias na sociedade, apresentamos este Projeto Interdisciplinar que irá trabalhar o conteúdo da 2ª série do Ensino Médio sobre Ideologia.
A compreensão do que é ideologia e de como ela se constrói em uma determinada sociedade não é tarefa tão simples, por isso para trabalhar com esse tema o responsável pela área de Filosofia do Instituto Presbiteriano Vale do Tocantins propôs um trabalho interdisciplinar com as áreas de Artes, História e Português, com o intuito de facilitar e tornar mais atraente e dinâmico o ensino e a aprendizagem desse conteúdo.
Propiciar situações em que os alunos experiências educativas individuais ou em grupo nas quais poderão identificar como se constroem as ideologias numa determinada sociedade.
1.3 Objetivos Específicos
• Conceituar ideologia;
• Interpretar os discursos orais e escritos identificando os indícios ideológicos;
• Identificar os mecanismos sociais utilizados para a construção das ideologias;
1.3 Resultados esperados
• Compreensão do conceito de ideologia;
• Interpretação dos discursos orais e escritos identificando os indícios ideológicos;
• Identificação dos mecanismos sociais utilizados para a construção das ideologias;
2 Duração da Atividade: 03 aulas de 50 minutos (que correspondem a 3 semanas)
3 Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno:
Ao iniciar o trabalho faça um diagnóstico para identificar se a turma tem noções da teoria marxista, seus princípios e ideias básicas.
4 Metodologias - Estratégias e recursos das aulas:
1ª Semana:
Problematizarão:
Apresentar no data show a história:
Uma estória para começar... Samir blahoud
Numa certa tribo primitiva da Austrália, o ritual de passagem da infância para a vida adulta era cercado de crueldades, para provar a força, resistência e coragem dos jovens. Entre outras coisas, o jovem era fechado numa cabana, junto a um enxame de furiosas abelhas. O jovem deveria suportar todas as ferroadas sem soltar um ai. Depois ele deveria enfrentar feras no mato com instrumentos precários de autodefesa...Enfim, somente após um ritual de atrocidades é que ele poderia ser considerado membro adulto da tribo, com todos os privilégios reservados apenas aos guerreiros.
Só os filhos dos chefes religiosos da tribo, que presidiam tais rituais, é que estavam isentos dessas práticas, porque só pelo fato de serem de descendência sagrada, eles já partilhavam da força dos deuses, o que os habilitava para posições privilegiadas. Foram os próprios deuses que, no princípio, assim estabeleceram as coisas.
A partir dessa história o professor deverá explorar A ideologia é um conhecimento deformado e falseado da realidade que beneficia um grupo em detrimento de outro. Quem tem mais poder na sociedade, tem mais possibilidade de impor sua ideologia. Porque tem um pensamento mais elaborado e tem à sua disposição melhores meios para difundi-la. Os membros sagrados da tribo, devido sua posição privilegiada tinham maiores condições de impor sua cosmovisão a todo o grupo. Afinal, seu papel é altamente legitimado pela crença generalizada no seu poder sobrenatural. O fenômeno ideológico é um produto necessário do fenômeno da desigualdade social.
Introdução do Conteúdo: Para iniciar este conteúdo o professor deverá explorar um vídeo da música Ideologia (Cazuza) acessando o link: http://www.youtube.com/watch?v=yUYEkrBfDrA e apresentando-o no data show.
Música: Pedir aos alunos que comentem sobre a letra da música, o que eles pensam ser ideologia na visão do Cantor.
2ª Semana:
Leitura e interpretação oral do texto:
Como nasce uma ideologia
A ideologia é um conhecimento deformado e falseado da realidade que beneficia um grupo em detrimento de outro. Quem tem mais poder na sociedade, tem mais possibilidade de impor sua ideologia. Porque tem um pensamento mais elaborado e tem à sua disposição melhores meios para difundi-la. Os membros sagrados da tribo, devido sua posição privilegiada tinham maiores condições de impor sua cosmovisão a todo o grupo. Afinal, seu papel é altamente legitimado pela crença generalizada no seu poder sobrenatural. O fenômeno ideológico é um produto necessário do fenômeno da desigualdade social.
A desigualdade é um fenômeno de poder e esse poder precisa legitimar-se.
Precisam, portanto, justificar a necessidade da permanência da realidade como ela é, mantendo um quadro de idéias para convencer os outros disso.
A ideologia é a justificação das posições sociais. Nesse sentido, a ideologia conta com a participação e colaboração da filosofia, da literatura, das ciências, do direito etc. A realidade é transformada em mito e o dominado crê no mito. Conscientizar é desmitificar.
A ideologia usa a ciência:
Há uma “atitude ideológica”, quando um cientista, um jurista ou um meio de comunicação são utilizados para falsificar a realidade. Nesse sentido, nem a ciência nem o direito são neutros. É impossível existir neutralidade em questões sociais.
No século XVII, os “cientistas” da Igreja tinham que acreditar e ensinar que a Terra era o Centro do Universo (teoria geocêntrica), pois assim faziam supor as Sagradas Escrituras, interpretadas pelos Santos Padres e pela Hierarquia da Igreja. Mesmo tendo apontado o telescópio para os céus e comprovado que o Sol era o centro do nosso sistema, Galileu foi obrigado a abjurar, em 1633, para não ser queimado vivo, como acontecera com Giordano Bruno, em 1600. Galileu ficou em prisão domiciliar até o final da vida. Só em 1992 a Igreja reconheceu publicamente que Galileu estava certo.
Principalmente em Estados Totalitários, a ciência é muito usada para fins de justificação do regime. Por isso há controle e censura à produção científica. Hitler, por exemplo, queria provar, cientificamente, a superioridade da raça ariana sobre todas as outras raças. Faziam-se experiências, inclusive com seres humanos. Uma ditadura pode usar “explicações científicas” para provar a necessidade e a oportunidade de se construir uma Usina Nuclear em Angra dos Reis, ou uma Rodovia Transamazônica. Recorrer à ciência, às estatísticas, dá uma maior importância, uma aparência de certeza da verdade, ao fato em discussão.
Até os dominados "defendem" a ideologia dominante:
- Foi Deus quem quis assim. Quando ele quiser, ele manda chuva para nós. Não podemos reclamar, não.
Uma pobre mulher nordestina dizia isso em junho de 2001.
- Minha senhora, não foi Deus, não! O dinheiro que já foi enviado para a SUDENE daria para ter inundado o Sertão. O Sertão poderia ter virado mar... Grande parte da culpa é dos corruptos que ficam com nosso suado dinheirinho... que, juntado, dá um dinheirão!
Atividade em grupo: produção de texto de 10 a 15 linhas, a partir da interpretação da música Ideologia de Cazuza e do texto explorado sobre o que ideologia.
3ª Semana:
Atividade no laboratório de Informática: levar os alunos ao laboratório de informática para realizar pesquisa no wikipedia sobre ideologia, utilizando o hipertexto acessando o link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ideologia
Apresentação das atividades em grupo para a turma: A partir da pesguisa realizada prepar slides sobre o tema e apresentá-los para a turma.
5 Recursos complementares:
• Data show;
• Laboratório de Informática;
• Texto xerocopiado;
6 Avaliação:
Deve ser feita durante todo o processo.
Professor, você pode elaborar os critérios junto com seus alunos. Uma sugestão:
- participação coerente nas discussões e nas atividades propostas;
- realização das atividades no laboratório de informática e participação nas discussões a partir das pesquisas;
- correção da produção de texto.
- Quadro de critérios de avaliação:
Critérios: Ótimo - Bom - Médio - Refazer
Participação Contribuiu com idéias úteis, participou da discussão e contribuiu consideravelmente para o grupo. Geralmente participa das atividades práticas, não participa das discussões, contribui de forma moderada com o grupo. Algumas vezes participa das discussões, mas não propõe nada e sente dificuldades para trabalhar em grupo. Não participa das discussões, não contribui para o grupo, muito disperso.
Abordagem da temática Abordagem inovadora apresentando resultados relevantes ao tema (além da proposta) Abordagem inovadora, porém os resultados não surpreenderam (apenas o que foi proposto). Abordagem simplista e os resultados não contemplaram o tema (não atingiu o objetivo)
Qualidade nos trabalho Trabalho bem acabado e criativo. Trabalho bem acabado. Precisa melhorar o acabamento. O trabalho mal acabado, não conseguiu atingir o objetivo da proposta.
CHAUI, M. O que é ideologia do trabalho. São Paulo: Moderna, 1992.
CYRINO, Hélio. Ideologia hoje. Campinas: Papirus, 1986.
GARCIA, Nelson Jahr. O que é propaganda ideológica. 6. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Primeiros Passos, 77).
MARCONES FILLHO, Ciro. Ideologia. 7. Ed. São Paulo: Global, 1991.
MARTINEZ,P.A teoria das elites. São Paulo: Scipione, 1997.
VALLADARES,E.,BERBEL,M.Revoluções do século XX. São Paulo: Scipione, 1994.
MARX, Karl, ENGELS, F. A ideologia alemã. Trad. José Carlos Bruni e Marco Aurélio Nogueira. 6ª ed. São Paulo: Hucitec, 1987.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ideologia
http://www.youtube.com/watch?v=yUYEkrBfDrA
Possíveis Mudanças e Possibilidades de Contribuições das Tecnologias
De acordo com Pedro Demo as novas tecnologias tornaram as linguagens, hoje, multimodais, um texto que já tem várias coisas inclusas, som, imagens, texto, animação. O texto tem que ser atrativo para proporcionar ao aluno uma forma de aprendizado diferente. A escola tem que se organizar de tal forma que traga para dentro do seu ambiente as novas culturas do século XXI, como o mp3, a televisão, a internet, o DVD e o celular. Esses elementos devem fazer parte da rotina escolar para tornar o processo de ensino aprendizagem mais atrativo.
Para tanto devemos cuidar do professor, pois ele é o responsável por fazer com que todas essas mudanças entrem na escola. Ele será o disseminador dessas novas tecnologias como instrumentos didáticos para que o aluno aprenda.
Nesse sentido faz-se necessário uma nova pedagogia que ajude o professor não apenas dar aulas, mas ser capaz de produzir seus próprios materiais didáticos, suas próprias aulas, ajude o professor ser autor da sua prática pedagógica.
Ao ler a entrevista de Pedro Demo percebi que ser professor hoje, implicar não apenas saber manusear o computador é necessário utilizá-lo como um instrumento de uma mudança do paradigma educacional, um paradigma que promova a aprendizagem ao invés do ensino, que coloque o controle do processo de aprendizagem nas mãos do aprendiz, que ajude o professor entender que a educação é um processo de construção do conhecimento do aluno como um todo.
Outro ponto que chamou minha atenção foi quando ele coloca que o professor não corre o risco de ser substituído, uma vez que é por meio dele que essas novas tecnologias só entram na escola se entrarem pelo professor, pois ele é as tecnologias das tecnologias, e deve se portar como tal. É necessário portanto cuidar para que o professor possa sempre, por meio de cursos de formação continuada, aprender sempre para ser capaz de ser o autor de suas aulas tornando se autônomo e criativo.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Conceito de Currículo e o processo de integração de Tecnologias ao Currículo
O currículo é instrumento norteador que contempla disciplinas específicas, competências e habilidades necessárias e indispensáveis à educação em todas as suas esferas. Pode ser ainda, as experiências vivenciadas na trajetória de vida de qualquer ser humano ao longo dos anos, que determinam, ao longo dos anos, o que somos e no que nos tornamos, contribuindo de forma significativa para a construção da nossa identidade pessoal e social.
Neste sentido, uma prática pedagógica baseada no uso de tecnologias propicia a integração de diferentes mídias ao currículo com instrumentos facilitadores da transposição didática dos conteúdos escolares com foco na aprendizagem do aluno. E por meio de estratégias pedagógicas adequadas, prática e teoria se inter-relacionam e dão o norte para o desenvolvimento do currículo concebido como construção social (GOODSON, 2001), cultural e histórica que envolve conhecimento, poder, tomada de decisão, produção de identidades (PACHECO, 2001) e de conhecimentos resultantes dos diversos processos individuais e globais de construção mentais influenciados pelas relações sociais.
Desenvolver projetos que promovam a integração entre currículo e as novas tecnologias que circulam na sociedade, ainda é um grande desafio para nós educadores, e requer um esforço de todos nós envolvidos e comprometidos com a educação escolar, exige a busca constante da integração entre os professores das diferentes áreas do currículo, a busca de uma formação contínua, a aceitação de novos paradigmas relacionados ao uso das tecnologias em sala de aula.
Mas não se pode negar que o uso das tecnologias no processo de ensinar e aprender enriquece as experiências educativas e facilita a aprendizagem por tornar mais dinâmico e atrativo e por isso propicia mais envolvimento dos alunos no processo de descoberta e reconstrução de conhecimentos.
sábado, 2 de outubro de 2010
3º ANO – 4º BIMESTRE - EIXO: A arte
COMPETÊNCIAS:
• Aplicar conhecimentos filosóficos no plano existencial, nos projetos de vida e nas relações sociais;
• Desenvolver a leitura filosófica da arte
• Utilizar a arte como elemento de transposição do materialismo.
HABILIDADES:
• Ler textos filosóficos de modo significativo;
• Ampliar gradativamente o alcance da leitura filosófica;
• Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo;
• Compreender a arte como possibilidade de humanização do ser humano.
CONTEÚDOS MÍNIMOS:
• O que é arte
• A historicidade da arte
• A (in) utilidade da arte
• As funções da arte
• O valor de pensar por si mesmo
SUGESTÕES:
LIV ANDRADE, Mário de. O baile das quatro artes. 3. ed. São Paulo, Martins; Brasília,. Instituto Nacional do Livro, 1975.
PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987.[Coleção Os pensadores]
BATTOCOCK, Gregory. A Nova arte. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1986
DAIX, Pierre. Critica nova e arte moderna: ensaio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971.
PEDROSA Mario. Mundo, homem, arte em crise. São Paulo, Perspectiva, 1975. 321 p.
FILMES:
Leonardo da Vinci, 2004
Os Amores de Picasso, 1996, direção de James Ivory
Identidade de Nós Mesmos, 1989, direção de Wim Wenders
O Sorriso de Mona Lisa, 2003, direção Mike Newell
Sonhos, 1990, direção Akira Kurosawa
TEXTOS:
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
PENSE DIFERENTE: UMA HABILIDADE OU ATITUDE
PENSE DIFERENTE para encontrar novas maneiras de fazer as coisas. Passe a ser mais observador em tudo. Não aceite idéias apenas passivamente. Seja pró-ativo. Considere várias alternativas sem contentar-se com apenas uma.
Pior do que não ter nenhuma idéia é ter apenas uma idéia na cabeça.
Habitue-se a perguntar "DE QUE MANEIRA EU POSSO... (ficar menos tempo no trânsito, por exemplo)?" Você encontrará diversas alternativas, como por exemplo: saia mais cedo do escritório, vá de metrô, vá de táxi, saia mais tarde do escritório, freqüente a academia de ginástica ao lado do escritório durante o horário de rush, faça o curso de inglês neste horário, leia os livros que não conseguiu ler por falta de tempo, coloque audio books no carro atualizando a sua leitura ou estudando um idioma e infinitas outras alternativas.
Para pensar diferente ligue-se permanentemente em tudo o que acontece, em tudo o que o rodeia. Leia diferentes jornais e revistas. Participe de congressos e seminários. Visite feiras e exposições. Assista à palestras. Procure canais de TV aos que você nunca assiste. Converse com pessoas que você nunca conversou.
Pensar diferente é uma habilidade que deve ser cultivada durante toda a vida. Dizem algumas pesquisas que quem não exercita o cérebro vai perdendo sua capacidade mental com o passar dos anos. Nosso cérebro nos oferece um potencial ilimitado para produzirmos novas idéias. É no cérebro que são criados todos os nossos sonhos e desejos. É em nosso cérebro que vemos, sentimos, nos comunicamos e experimentamos as mais variadas emoções. É do cérebro que recebemos os comandos dos movimentos e dos nossos pensamentos.
O mundo com suas rápidas mutações exige novas respostas para os novos desafios. Necessitamos de urgência. Acione freqüentemente a sua imaginação e criatividade em todo seu potencial.
Pense diferente para abrir caminhos para o progresso, para encontrar novos produtos que facilitarão e até salvarão a vida de muitas pessoas.
Pense diferente para encontrar novas maneiras de melhorar na sua carreira com eficiência e rapidez.
Pense diferente para conseguir melhores escolas, mais trabalho, habitações dignas, músicas mais bonitas e envolventes.
Tenha um desejo ardente para melhorar as coisas.
Pense diferente para ultrapassar os limites do que aprendemos na escola e com a experiência da vida. Vá mais além. Desbrave com alegria o seu poder criativo. Antonio Carlos Teixeira
FUNÇÕES DA ARTE
Função Individual: O ser humano é um ser sensível, emociona-se, reflete, pensa. A arte tem como finalidade possibilitar os processos de percepção, sensibilização, cognição, expressão e criação necessários ao desenvolvimento global do homem. Ao suprir suas exigências básicas de sobrevivência, o homem quis mais: desejou ser mágico para transformar a matéria em outra diferente; desejou tornar o sonho realidade; desejou criar beleza para encontrar prazer; desejou conhecer a si mesmo para ter a consciência do que é e do que poderá vir a ser enquanto cidadão.
Função Ambiental: A arte, por meio da alfaabetização estética, leva a todos a observar o meio que o cerca, reconhecendo a organização de suas formas luzes e cores, suas harmonias e seus desequilíbrios, a sua estrutura natural bem como a construída.
Como vimos, toda pessoa transforma a natureza com o seu trabalho. Arte é matéria transformada, concreta, ocupa lugar no espaço. Até mesmo o som e o gesto, por mais fugazes que pareçam, compõem como o ambiente, novos ambientes. Por intermédio de obejetos, sons e movimentos, uma paisagem visual, sonora, espacial vai surgindo a cada minuto e imprimindo novos significados, estéticas e necessidades para a sociedade. È importante que cada um perceba este mundo, como uma paisagem e tenha a consciência ao transformá-la.
Função Social: Toda pessoa é um ser cultural, fruidor e agente da Arte. Ela transmite a cultura elaborada epela humanidade. Enquanto linguagem, ultrapassa a funçao da comunicaçao simples e pura, pois transmite ideias, sentimentos e informações que transformam as ideias, os sentimentos e as informações já existentes, influenciando modos e atitudes, num movimento dinâmico de interação entre o homem e a sociedade. A Arte é conhecimentoe, como tal, tem função no processo de educação do ser humano, enquanto Educação Artística e Alfabetização Estética. Ela revela os símbolos específicos de cada linguagem, necessérios à construção de um leitor de mundo mais crítico, sensível e eficiente nos seus posicionamentos.
PENSAR POR SÍ MESMO
Neste texto, como o próprio nome sugere, Schopenhauer descreve a importância de pensar por si mesmo, ou seja, adquirir conhecimento através dos seus próprios neurônios. “... la masa mayor de conocimientos, si no há sido elaborada por el pensamiento original, vale mucho menos que uma masa menor varias vezes asimilada.”, isto é, o conhecimento adquirido através do próprio esforço mental vale muito mais do que o conhecimento adquirido por meio de terceiros.
Schopenhauer descreve no decorrer das linhas de seu livro dois tipos de pessoas, os eruditos e os gênios. Os primeiros são aqueles que lêem vários livros, vivem da leitura, são exímios conhecedores da literatura, enquanto os segundos são os legítimos pensadores, os que têm algo a ensinar a humanidade, são os que lêem diretamente no livro do universo, folheiam a natureza ao invés de folhearem páginas de livros. Em suma, os gênios observam a natureza, desenvolvem seus pensamentos e passam para livros todo seu conhecimento, livros esses que serão lidos pelos eruditos.
A leitura nada mais é do que um “remédio” para aqueles que têm preguiça de pensar, é um sucedâneo do pensamento pessoal. A convicção de Schopenhauer, quando afirma que devemos ter pensamentos próprios é tanta, que ele compara o ato de rejeitar pensamentos originais em troca de livros, com um pecado contra o Espírito Santo.
A verdade adquirida pelo pensamento próprio, original, é como um elemento do próprio ser, enquanto que o conhecimento adquirido através de outrem é comparado como um membro enxertado é uma parte de outro misturada ao nosso ser.
Schopenhauer faz uma analogia interessante, ele diz que uma pessoa que busca conhecimento pelos livros é a mesma pessoa que conhece um país através de uma revista de agencia de viagens, posso conhecer virtualmente todos os Estados Unidos, saber detalhes de sua estrutura social, política, seus pontos turísticos, porém, aquele que verdadeiramente conhece tal país é aquele que lá esteve e por si vivenciou o clima, a terra, as conexões de informações que somente lá existem. Aquele que verdadeiramente conhece o mundo é aquele que vive o mundo, os que tentam conhecer através da literatura têm acesso a meras descrições.
Parece hilário, mas aquele que lê filosofia, aquele que busca conhecer “o que há”, “o que é” através dos livros, irá acabar em uma discussão inútil, irá debater, por exemplo, se Leibniz era ou não spinozista. Ao invés de buscar a luz com sua reflexão própria, ao invés de refletir sobre o mundo, ou formular teorias, como o próprio Leibniz fez outrora, acabam por cair no ridículo de discutir e classificar filósofos em escolas, ou grupos.
Não devemos deixar de ler, a leitura é importante fonte de conhecimento. Não devemos é nos apegarmos em demasia à literatura e dar-lhe primazia a busca do conhecimento pela própria analise do que observamos e pensamos propriamente. Não podemos acostumar nosso espírito com longos períodos de leituras ininterruptas, pois ele pode se acostumar, e como conseqüência, perderá a capacidade de pensar por si mesmo.
Esses, que preferem a leitura de livros a pensar por si mesmos, os chamados eruditos, acabam viciando seu espírito com a literatura e o estupidificam. Eles lêem tanto que acabam ficando estúpidos, bobos, perdem a capacidade de ter pensamentos próprios e originais, são capazes apenas de copiar, perdem a capacidade de pensar. Para construir sua filosofia e escrever seus livros, Schopenhauer também pesquisou a literatura de outros filósofos e, sobretudo, observou a natureza, sua filosofia não é mera cópia ou plágio.
É importante ler os outros grandes autores, porém não demasiadamente, para que eu não perca em nenhum momento o contato com o mundo real, e de gênio passe para erudito, ou, o espectador literário. O erudito tem apenas representações abstratas, ou seja, conhece única e simplesmente os conceitos, enquanto o gênio acessa as representações intuitivas, ou seja, observa o concreto, e dele tira suas próprias conclusões, pensa por si.
O gênio é como um monarca, não aceita ordens, e faz mais, dá as ordens. Seus juízos, como as leis do monarca, emanam de seu poder supremo, sua capacidade, procede diretamente dele, não precisam de intermediários para existir, só admite aquilo que pode provar ele mesmo. Do outro lado, existem aqueles que não tem opinião, aqueles que precisam ler algo para ter o que dizer, não pensam por conta, precisam que alguém pense antes para que possa tomar essa opinião como sua.
“Em matéria de pensamento, só tem verdadeiro valor aquele que é pensado para si mesmo.” . Após proferir essa frase, Schopenhauer divide os pensadores em duas classes: os que pensam para si mesmo e os que pensam para os demais. Os primeiros são os filósofos, que tem alegria, vivem para pensar, os outros são os sofistas, que buscam o glamour, querem brilhar, querem proferir frases de efeito, sem que haja preocupação com a veracidade delas, seu objetivo é a fortuna.
É fácil de entender, enquanto filósofo eu penso para mim, e eu não vou querer ter pensamentos falsos, não há algum interesse nisso, pois como sou amante do pensar, da sabedoria, e tenho como meta os pensamentos verdadeiros, quero descobrir a verdade sobre o mundo, não tenho por que mentir, bem pelo contrario. Já o sofista está interessado no dinheiro, no quanto ele pode ganhar defendendo os interesses dos comandantes capitalistas de sua época, pouco importa a verdade, é mais interessante uma mentira bem paga.
O homem é um animal como os outros, vive para consolidar sua existência. É bom ter cuidado com o que ouvimos, precisamos filtrar o conhecimento que querem nos passar através dos livros, para que não caiamos no vai e vem da moda e nos esqueçamos da verdadeira filosofia, do verdadeiro ensinamento.
2º ANO – 4º BIMESTRE - EIXO: Cidadania e Política
COMPETÊNCIAS:
• Desenvolver permanentemente a leitura ideológica no campo político;
• Aplicar conhecimentos filosóficos no plano existencial, nos projetos de vida e nas relações sociais;
• Compreender e requisitar os direitos elementares para o exercício de cidadania.
HABILIDADES:
• Ler textos filosóficos de modo significativo;
• Ampliar gradativamente o alcance da leitura filosófica;
• Participar ativamente das atividades políticas de sua comunidade e país;
• Compreender claramente quais são os direitos e deveres do cidadão.
CONTEÚDOS MÍNIMOS:
• O que é política
• A política e o cotidiano
• A indiferença política
• A cidadania
• A participação política
SUGESTÕES:
LIVROS:
MARTINEZ, Paulo. Direitos de Cidadania: um lugar ao sol. São Paulo: Scipione, 1996. Da coleção PRIMEIROS PASSOS, da Editora Brasiliense (São Paulo)
• O que é cidadania - Maria de Lourdes Manzini Covre
• O que e democracia - Denis L Rosenfield
• O que são partidos políticos – Francisco Weffort
• O que é participação política – Dalmo de Abreu Dallari
• O que é poder – Gérard Lebrun
• O que é política – Wolfgang Leo Maar
SITE:
FILMES:
Danton - O processo da revolução, 1982, direção de Andrej Wajda
Fontamara – direção de Carlo Lizzani
Aguirre - a cólera dos deuses, 1972, direção de Werner Herzog
Missing – o desaparecido, 1982, direção de Costa – Gravas
Justiça - direção e roteiro Maria Ramos
Pra Frente Brasil, 1983, direção Roberto Farias
TEXTOS:
O QUE É POLÍTICA
Na vida diária, as pessoas se referem à política como a ação do Estado e da organização institucional. Assim, o termo é utilizado para descrever a atividade parlamentar de um determinado político eleito, a ação dos partidos políticos por ocasião de campanhas eleitorais ou, ainda, para se referir ao ato de votar e escolher representantes que exercerão mandato e decidirão em nome dos eleitores. A política apresenta-se como arte de governar.
Também se emprega o termo para expressar a multiplicidade de situações em que a política se manifesta: política económica, política sindical, política das igrejas. Nesse sentido, entende-se a política como a atuação de instituições ou de segmentos da sociedade civil com a finalidade de alcançar determinados objetivos.
No entanto, ao contrário do que possa parecer, a política não diz respeito apenas aos políticos, mas a todos os cidadãos. Se considerarmos que a palavra política origina-se do grego polis, que significa "cidade", podemos compreender a sua amplitude. A polis caracterizava-se como uma unidade de vida social e política autônoma, da qual os cidadãos gregos participavam ativamente, decidindo sobre os destinos da cidade.
O PODER: Para que a sociedade funcione, é necessário que os indivíduos se submetam a regulamentos, acatem valores e se conformem a uma determinada situação. As normas, leis, disciplinas às quais precisamos nos submeter para conviver na sociedade implicam relações de poder.
O poder, portanto, não se limita à organização do Estado, mas está presente em todas as relações sociais. Assim, na família, somos geralmente orientados pela afetividade e pela autoridade dos pais; na escola, pela dedicação e pela autoridade dos professores, que ensinam e decidem sobre o nosso saber por meio de avaliações; no trabalho, os empregados se submetem a disciplina, horários e técnicas para manter ou aumentar a produtividade na sua unidade de trabalho; no hospital, os médicos decidem sobre o que é melhor para a nossa saúde; no trânsito, precisamos respeitar os sinais convencionais, para garantir a nossa vida e a dos outros; nas igrejas, os padres e pastores orientam a vida dos fiéis; no mercado, precisamos de dinheiro para comprar o que desejamos. Enfim, todas as situações que vivemos envolvem relações de poder que engendram e mantêm a ordem social.
O poder consiste num conjunto de relações de força que indivíduos ou grupos sociais estabelecem entre si a partir de sua situação na sociedade.
Quando falamos em "força", pensamos imediatamente na violência física, na imposição de uma vontade, no constrangimento. Mas nem sempre é assim. Aqui nos referimos à força como a capacidade de estimular ou inibir ações, não pela coerção ostensiva, mas sim pelo lento processo de formação de nosso comportamento e da assimilação de valores ao longo da vida. Nossos pais, nossos, professores e pessoas que amamos no influenciam e orientam por meio dos vínculos afetivos que mantemos com eles. Trata-se de uma forma sutil de coerção e, por isso, mais eficaz e duradoura. Essa força consiste na autoridade e disciplina a que somos submetidos na família, na escola, nas igrejas, na sociedade em geral.
As relações de poder estabelecidas em nosso cotidiano fazem parte do contexto amplo da organização social e política moderna, em que a acumulação e a concentração de riquezas, que são a base da produção capitalista, geram relações sociais e políticas desiguais e excludentes. A vida organiza-se conforme uma hierarquia social em que alguns indivíduos ou grupos sociais estão em posição superior e podem influir na vida e na atividade de outros indivíduos ou grupos sociais em posição inferior. Enfim, há grupos que dominam, ordenam, dirigem, e outros que são dominados, obedientes, dirigidos. Nesse contexto, poder significa dominação exercida pelo Estado e que se estende à todas as relações sociais.
A POLÍTICA E O COTIDIANO
Se a política faz parte de nossa vida, estando presente em todas as relações sociais, por que essa forma de vivência não é consciente em nosso cotidiano? Por que a participação política do indivíduo é tão limitada?
Podemos entender, em parte, essas questões, ao considerar as condições modernas da política. Em geral, a forma de governo dos Estados modernos é a democracia representativa, caracterizada pela constituição de poderes autônomos entre si (Executivo, Legislativo e Judiciário), organizados com base na ordem jurídica instituída (Constituição, leis, etc.), pela existência do voto secreto e universal e pela ação dos partidos políticos, que expressam a diversidade de pontos de vista sociais.
Nesse contexto, a participação política dos indivíduos parece limitar- se à escolha dos representantes para os cargos eletivos entre os candidatos de vários partidos. A ação política parece concentrar-se no Estado, na estrutura institucional e na atividade dos políticos eleitos pela sociedade. Estes quer o enunciem claramente ou não, representam os interesses de grupos sociais: há políticos que se empenham na defesa dos direitos civis, na ampliação dos espaços de participação política e no respeito à coisa pública, agindo com dedicação e transparência. Mas há também políticos que se dedicam aos favorecimentos, confundindo o espaço público com o privado, ao utilizar-se do poder que lhes foi delegado para beneficiar grupos particulares.
Os indivíduos, membros da sociedade civil, têm sua vida afetada por decisões políticas tomadas pelo poder institucional, que elabora as leis que regulam a sociedade. Daí a importância de conhecermos o processo político e dele participarmos, pois todas as decisões de nossos representantes no Parlamento nos atingem direta ou indiretamente.
Vejamos alguns exemplos de como as decisões políticas nos afetam de modo direto ou indireto: as relações de trabalho são regulamentadas por uma legislação elaborada e sancionada por nossos representantes políticos;nela se estabelecem os direitos e deveres do empregador e do empregado.
Nosso acesso aos benefícios sociais, como saúde e educação, também é prescrito por leis e ações advindas do Congresso Nacional. Se nos dispomos a reivindicar nossos direitos por meio de uma greve, podemos sofrer repressão policial. Em momentos de crise econômica e recessão, muitos trabalhadores perdem seus empregos e procuram sobreviver como vendedores, lavadores de carros e outras formas de subemprego; seus filhos precisam abandonar a escola para auxiliar no orçamento da família e acabam vendendo objetos nos semáforos.
Se observarmos um pouco mais a realidade brasileira, veremos que ocorre uma intensa concentração de renda nas mãos de uma pequena parcela da população, enquanto uma multidão se encontra nos limites da miséria. Há falta de escolas públicas, hospitais e moradias. Muitos camponeses lutam por uma distribuição equitativa da terra, que lhes dê condições de viver de seu trabalho com dignidade. As mulheres ainda são discriminadas profissionalmente. Presos comuns são massacrados em penitenciárias. Existem problemas de saneamento urbano, transporte, poluição. Enfim, a lista parece infindável.
Todos esses problemas nos dizem respeito e somos responsáveis por eles, pois participamos da vida da sociedade e dos conflitos que nela ocorrem. Muitas vezes, porém, não temos consciência disso, não percebemos como nossas escolhas individuais podem contribuir para consolidar uma situação instituída ou para esclarecer as contradições sociais. Nossa visão de mundo fragmentada reflete os valores de um sistema econômico que se alimenta da exploração do trabalho e funciona com base na troca, mercado, dinheiro, lucro. Esses valores se manifestam em relações sociais em que prevalecem a competição, a concorrência e a hostilidade entre os indivíduos.
Na sociedade civil, os meios de comunicação de massa, a escola, as igrejas, as empresas e a família veiculam uma interpretação parcial da realidade, em que o individuo, isolado, é responsabilizado pela situação em que se encontra, como se ela dependesse apenas de sua vontade, de suas características individuais (esforço, preguiça, perseverança, etc.) As explicações não se baseiam nas desigualdades sociais e políticas sociais que caracterizam a estrutura social.
A INDIFERENÇA POLÍTICA
O desinteresse da maioria dos indivíduos pelos assuntos públicos é um dos grandes problemas políticos a enfrentar nas sociedades modernas. Além dos que não participam por desconhecer o seu papel no processo político, há os indiferentes conscientes, os que compreendem a situação mas não tomam partido, encarando a vida política com ceticismo. Em ambos os casos, a indiferença e a consequente passividade desempenham um papel desagregador na política. Os indivíduos cuidam de suas atividades pessoais e deixam as decisões políticas nas mãos de pequenos grupos que, movidos por ambições e paixões particulares, traçam os destinos de um povo.
Da indiferença dos indivíduos podem nascer as políticas autoritárias, a corrupção e demais formas de desmandos. A falta de transparência na política, a concentração do poder nas mãos de profissionais da política, bem como ausência de controle e de cobrança da sua atuação, ocorrem, em grande parte, porque muitos se omitem, tornam-se apáticos, renunciam à possibilidade de criar alternativas de intervir na política. Quando os males acontecem, os indiferentes eximem-se da responsabilidade, porque não participaram ativamente da construção dos fatos. Esquecem-se de que a ausência e a omissão também são formas de participação.
A CIDADANIA
Na sociedade moderna, nascida das transformações que culminaram na Revolução Francesa, o indivíduo é visto como homem (pessoa privada) e como cidadão (pessoa pública). O termo cidadão designava originalmente o habitante da cidade. Com a consolidação da sociedade burguesa, passa a indicar a ação política e a participação do sujeito na vida da sociedade.
Cidadão é o indivíduo que possuem direitos e deveres para com a coletividade da qual participa — existem interesses comuns que o cidadão precisa respeitar e defender por meio da atuação na vida pública. A desigualdade social não permite a efetivação das liberdades constitutivas da sociedade civil, entre elas a liberdade política de participação nos assuntos públicos, que não se realiza para todos os membros da sociedade. Nesse sentido, a República brasileira, em mais de um século de existência, ainda não conseguiu realizar uma política democrática. Os princípios básicos das democracias modernas, como o direito de todos os indivíduos à liberdade de pensamento, associação, credo, locomoção, manifestação da opinião por intermédio da imprensa e da propaganda, são garantidos por lei. Tais princípios, são a base necessária para a participarão do cidadão na sociedade capitalista. Porém, o acesso a esses mecanismos é restrito.
Vejamos um exemplo: o domicílio de qualquer cidadão é inviolável e o direito à proteção é garantido por lei. No entanto, é frequente vermos na televisão os barracos das favelas serem invadidos pela polícia sem qualquer consideração. Tais ações demonstram como os favelados, relegados a uma situação de pobreza, são alvos de arbitrariedades em nome do Estado, sofrem discriminação social e, na prática, se vêem destituídos de sua cidadania.
O desemprego, a miséria, o analfabetismo, as diversas formas de violência que afetam a vida de grande parte da população brasileira impedem o exercício efetivo da cidadania. A discriminação se amplia quando se trata de enfrentar nossas diferenças raciais e culturais: mesmo constituindo parcela relevante da população, são poucos os negros que frequentam as universidades ou exercem funções empresariais e administrativas. Os índios, com suas tradições e riquezas culturais, têm sido dramaticamente discriminados e dizimados ao longo de nossa história. Enfrentar o grande desafio de assegurar e ampliar o exercício da cidadania em nosso país implica questionar o caráter excludente de nosso modelo económico e, ao mesmo tempo, efetivar e aprimorar a democracia. Necessitamos de uma política democrática que viabilize mudanças econômicas para resolver os nossos graves problemas sociais, reconhecer e defender os direitos de todos os cidadãos e garantir o pluralismo e os direitos das minorias.
É preciso criar espaços de manifetação na sociedade civil. onde os interesses comuns possam ser defendidos e os indivíduos possam tomar consciência do papel que desempenham na sociedade.
A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA
O caminho para discutir e propor uma nova direção à sociedade passa pela vida de cada um de nós, pela nossa participação na organização de movimentos sociais que defendam com afinco direitos da comunidade. Existe um grande número desses movimentos reivindicatórios, como movimentos estudantis, comunidades de base, movimentos de luta pela moradia, movimentos de luta contra o desemprego, movimentos dos sem-terra. Todos têm um significado político, pois defendem interesses coletivos que implicam mudanças sociais efetivas.
Esses movimentos, nascidos da necessidade de resolver problemas cotidianos não enfrentados pelas instituições públicas responsáveis, são de vital importância para a conquista da cidadania. Organizados a partir da vontade e determinação de indivíduos e grupos sociais em defesa de seus direitos, rompem os limites estreitos oferecidos pelo Estado à participação do cidadão e redefinem a política, mostrando-a como atividade dinâmica de ação efetiva. Da discussão de problemas imediatos, esses movimentos avançam para a compreensão do conjunto de relações em que certo problema está inserido, descobrem sua capacidade de inventar e criar soluções e, muitas vezes, percebem a necessidade de transformações radicais. À medida que se organizam internamente, esses grupos constroem a vida coletiva, a comunidade, e conseguem externar sua força de reivindicação.
As possibilidades de mudanças são maiores quando a sociedade civil se organiza e participa ativamente da política. Nesse processo, os indivíduos se renovam, amadurecem e compreendem que a cidadania que se conquista é limitada; é a cidadania possível dentro dos limites de uma sociedade dividida.
Referência: CORDI, CASSIANO. Para Filosofar.São Paulo, Scipione, 1997
O Analfabeto Político
Berthold Brecht
O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais
POLÍTICA E CIDADANIA
Atribui-se a origem da palavra política ao termo grego “pólis” que significa cidade. Quando pensamos em política, logo nos vem à mente a idéia de decisões que afetam muitos. Uma política comercial de vender só a vista ou só a prazo, é um exemplo de como uma decisão pode afetar um grupo de clientes ou todos os clientes de uma empresa.
Quando pensamos em política no sentido público, logo associamos com decisões que viram leis e que podem afetar uma cidade, um estado, uma nação ou todo o planeta. Veja o impacto da decisão que gerou o incidente conhecido como 11 de setembro nos EUA.
Tomás de Aquino, o filósofo, dizia que política é a arte de governar os homens e administrar as coisas, visando o bem comum, de acordo com as normas da reta razão.
A qualidade das decisões políticas de um governo pode ampliar ou diminuir sua habilidade de influenciar as decisões dos governados. Em uma democracia, isto pode redundar na renovação de um mandato ou até na remoção de um governante como foi o caso do impedimento do ex-presidente Collor.
Devido à desinformação ou desilusão relacionadas às suas expectativas, muitas pessoas dizem categoricamente que não gostam de política. Essas pessoas, não tem idéia do prejuízo que estão gerando para si mesmas e para o grupo social. Votando em branco, ou anulando o voto, por exemplo, diminuem o número de votos válidos e facilitam a vida de quem não gostariam de eleger. Seria importante que todos compreendessem que seu desinteresse equivale a renunciar à cidadania.
Platão, o filósofo grego, discípulo de Sócrates dizia: - Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política. Simplesmente serão governados por aqueles que gostam.
Precisamos mudar o nosso conceito de política e o primeiro passo é separar a palavra política, de politiqueiro e da politicagem. Na Grécia antiga, em cidades como Atenas, os cidadãos livres participavam da assembléia para discutir os problemas comuns a todos e tomavam decisões com o objetivo de solucioná-los.
Baseado nesta experiência, Aristóteles, um dos maiores sábios gregos, dizia que política é a ciência e a arte do bem comum. Para ele a cidade deveria ser governada em proveito de todos, e não apenas em proveito dos governantes ou de alguns grupos.
Muitas vezes, não percebemos, mas algumas decisões políticas afetam a vida de todos. Os gastos públicos, por exemplo, diminuem as verbas disponíveis para investimentos públicos em educação, estradas, saúde, segurança, financiamento de novas empresas, etc. Estes gastos aumentam a dívida pública a qual precisa ser “rolada”, ou seja, contrata-se uma nova dívida, para pagar a velha. Isto mantém os juros elevados e atrai especuladores estrangeiros. O aumento da oferta de dólares fortalece o real e derruba o cambio. O cambio barato, deixa o produto importado mais competitivo e fica difícil exportar. A produção cai e as fábricas dispensam parte da sua mão de obra, passam a produzir no exterior ou fecham. Criamos empregos lá fora e desemprego no Brasil.
É por razões como estas que nenhum cidadão sensato pode ignorar a política. Cada pessoa deve procurar compreender e participar da política. Para atuar politicamente e assim influenciar o poder, cada cidadão e cidadã deve se conscientizar, informar-se, ouvir, ler, falar, debater, estudar e procurar formar sua opinião sobre os diferentes problemas.
Com consciência política estaremos preparados para votar, fazer sugestões, acompanhar os trabalhos dos nossos parlamentares, exigir e reagir quando for necessário.
Toda eleição é um contrato. O candidato promete, a gente vota e espera que ele cumpra o que prometeu. Se ele mentiu ou foi incompetente, temos o direito de não renovar o contrato ou afastá-lo antes que seja tarde. A auto instrução pela leitura e pelo debate é o melhor remédio para que o Brasil desperte. Paulo Henrique Wedderhoff
Cidadania: reflexo da participação política
Nos últimos tempos, usamos com freqüência o termo cidadania em qualquer discurso ou diálogo trivial, pois consiste, este vocábulo, devido ao seu significado abrangente, a designação que tende a ser oportuna e adequada em inúmeras situações.
Todos experimentamos o exercício da cidadania ou o seu desrespeito na vida e, assim, acabamos perfeitamente aptos para apontar a existência ou a falta da mesma sem dificuldades. Esta realidade permite alcançar o conteúdo que aquele termo designa a partir de um cem número de direitos que o integram. Tais direitos, seguindo a moral de vida de uma sociedade e de seus interesses, vão sendo estendidos e ampliados, favorecendo, por conseguinte, a identificação do significado e conteúdo da cidadania em uma quase infinita variedade de situações.
Cidadania, palavra derivada de cidade, estudada por Aristóteles, é melhor compreendida se pensarmos a cidade como o Estado. Desse modo entendida cidadania, é possível dizer que, todo cidadão, que integra a sociedade pluralista do Estado democrático, é senhor do exercício da cidadania, a qual, em síntese, é vocábulo que expressa um extenso conjunto de direitos e de deveres.
Esta idéia, de exercício de um vasto conjunto de direitos e de deveres, consiste o conceito amplo de cidadania, cujo conteúdo, superior ao conceito estrito de cidadania, o qual é percebido unicamente como o exercício do direito e dever políticos de votar e de ser votado, só adquire pleno significado, no mundo contemporâneo, num Estado democrático de direito. E, normalmente, na atualidade, quando fazemos referência à cidadania, estamos falando de seu sentido ampliado.
Como se disse há pouco, perceber o pleno alcance do conceito amplo de cidadania, hoje, exige, necessariamente, o ambiente de vida e de convívio entre os homens típico e próprio de um Estado democrático de direito. Em sua acepção ampla, cidadania constitui o fundamento da primordial finalidade daquele Estado, que é possibilitar aos indivíduos habitantes de um país o seu pleno desenvolvimento através do alcance de uma igual dignidade social e econômica.
O ambiente de vida social do Estado democrático, cujos pilares de sustentação encontram-se na admissão, na garantia e na efetividade dos direitos fundamentais da pessoa humana, em uma sociedade solidária, é tornado real através da observação de vários postulados que lhe são essenciais. São pressupostos do Estado democrático: 1) a valorização e atualidade da dignidade do homem e o reconhecimento da importância de dispensar a todos tratamento fraternal, igualitário e não discriminativo; 2) a confiança nos talentos e possibilidades latentes dos homens; 3) a segurança e o crédito nos valores institucionalizados pelas massas, como fundamentos para o progresso do bem comum e o alcance da justiça; 4) a aceitação da legitimidade das decisões tomadas por meio de processos racionais e participativos de deliberação, com o consenso da maioria, que constitui o reflexo, o resultado de debates livres entre todos; 5) o respeito aos grupos minoritários; 6) e, a compreensão de que todo o interesse geral é a síntese dos diversos interesses e idéias dos indivíduos e dos grupos, diferentes centros de poder, que integram a sociedade pluralista.
Diante disso, percebe-se que, o conceito amplo de cidadania, está conectado e conjugado, porque encontra aí seus princípios básicos estruturantes, aos conceitos de democracia e de igualdade.
O princípio de igualdade disciplina todas as atividades públicas e tem aplicação direta nas relações privadas, que ocorrem entre os particulares, impondo, para torná-lo real, a proibição de discriminações e a eliminação das desigualdades fáticas nos planos social e econômico, proporcionando a todos os cidadãos igual condição de vida e mesma posição perante o Estado democrático.
E, também para a realização da cidadania, o princípio democrático torna indispensável a participação popular nas tomadas de decisão.
A cidadania, no Estado democrático de direito, efetivada, oferece aos cidadãos, como iguais condições de existência, o gozo atual de direitos e a obrigação do cumprimento de deveres, que, resumidamente, podem ser assim apresentados: exercício de direitos fundamentais e participação; e, os deveres de colaboração e solidariedade.
Sabendo-se que todo cidadão tem sua existência acompanhada do exercício de direitos fundamentais e do direito de participação.
Sobre a participação, cumpre asseverar que este direito significa a capacidade de ser consultado para as tomadas de decisão que dizem respeito à direção da sociedade em que vive o cidadão e que, dentre os direitos de participação política, tais como a igualdade de sufrágio, o direito de voto e de elegibilidade, e o direito de petição, ainda importa recordar outro que também a integra, é o direito de iniciativa popular.
A iniciativa popular de leis, que cabe aos cidadãos (o 2o parágrafo do artigo 61 da Constituição da República brasileira), o referendo e o plebiscito, correspondem a alternativas de participação política (o referendo e o plebiscito devem ser determinados, para que se verifiquem, pelo Congresso Nacional).
O exercício de todos os direitos inerentes ao Estado democrático e do direito de participação, é acompanhado do respeito aos deveres de contribuir para o progresso social e de acatar e respeitar o resultado final obtido em cada consulta coletiva.
A respeito dos direitos fundamentais, os quais representam, na verdade, situações reconhecidas juridicamente sem as quais o homem é incapaz de alcançar sua própria realização e desenvolvimento plenamente, consistindo o resultado da luta dos homens por um direito ideal, justo e humano, que foram e vão sendo aperfeiçoados e estendidos ao longo do tempo, resta dizer que os mesmos estabelecem faculdades da pessoa humana que permitem sua breve classificação do seguinte modo: 1) os direitos de liberdade, como por exemplo, a liberdade de consciência, de propriedade, de manifestação do pensamento, de associação, etc.; 2) os direitos de participação política, tais como a igualdade de sufrágio, o direito de voto e de elegibilidade, o direito de petição, e os direitos de participação política; 3) os direitos sociais, que abrangem os direitos de natureza econômica, como por exemplo, o direito ao trabalho, de assistência à saúde, à educação, etc; 4) os direitos chamados de quarta geração, por exemplo, o direito à preservação do meio ambiente e à qualidade de vida.
CRISTIANE ROZICKI
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